Da Redação

A Subcomissão da Verdade, Memória e Justiça realizou audiência pública nesta terça-feira (24) para ouvir o depoimento de familiares de mortos e desaparecidos políticos. Apesar de reconhecerem a importância da Comissão Nacional da verdade, eles ainda cobram respostas.
Elzita Santa Cruz vai completar 100 anos em outubro e ainda não tem uma resposta definitiva sobre o que aconteceu com seu filho, Fernando Santa Cruz. No sábado de carnaval de 1974, ele foi preso por agentes do DOI-CODI, no Rio de Janeiro. Ela é um dos familiares que esperam saber a verdade um dia.
– Até hoje espero a verdade, não sei como foi que ele desapareceu, porque uma incerteza é a coisa pior do mundo. Às vezes ficando assim pensando… Será que ele vai chegar? – relatou
A representante dos familiares, Iara Xavier, que teve dois irmãos e o companheiro assassinados com um tiro na nuca, reconhece que a criação da Comissão Nacional da Verdade foi um avanço, mas é preciso ir além.
– Expressamos a necessidade e a importância de convocar os agentes do Estado responsáveis pelos crimes de tortura, assassinato e desaparecimento. Sabemos que é difícil obter resultado, mas eles podem avançar, pois a história, ela não vai poder ser sepultada sob um nome falso, como os mortos no cemitério de Perus, porque eles vão ressurgir, e clamam por justiça – afirmou
O sobrinho do líder estudantil Honestino Guimarães e Coordenador do Projeto “Direito à Memória, Mateus Guimarães, também questionou os 16 meses de trabalho da Comissão Nacional da Verdade.
– Quais foram as circunstâncias do seqüestro, quais foram as circunstâncias do assassinato, quem eram os agentes que estavam envolvidos, quem deu a ordens? Uma série de perguntas que nós realmente esperamos que a Comissão Nacional da Verdade traga as respostas – questiona Mateus.
Violação de direitos
A Comissão Nacional da Verdade foi criada pela Presidência da República com o objetivo de esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período de 1946 a 1988. E deve concluir seu trabalho em maio do ano que vem.
O presidente da Subcomissão da Verdade no Senado, senador João Capiberibe, do PSB do Amapá, anunciou que pretende continuar as audiências públicas, e ouvir as vítimas da ditadura nos locais onde foram torturadas.
Ele lembrou que na segunda-feira (23), os parlamentares visitaram o prédio do Batalhão da Polícia do Exército, onde funcionou o DOI CODI, no Rio de Janeiro.
– Nós temos que buscar verdadeiramente o que aconteceu em nosso país. Vamos continuar, essa comissão está aberta para trabalharmos em conjunto, no sentido de acelerar o processo de recuperação de nossa memória – observou Capiberibe.
Também participaram da audiência Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça; Gilney Viana, membro do Comitê pela Verdade, Memória e Justiça do Distrito Federal; e Marcelo Santa Cruz, familiar de Desaparecido.
Da Rádio Senado
Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Senado
