Da Redação
O senador Paulo Davim (PV-RN) defendeu uma política de interiorização dos médicos, como forma de contemplar regiões mais afastadas e pobres do país que não contam com esses profissionais em sua estrutura de saúde.
Em pronunciamento na segunda-feira (8), o senador, que é médico, que o Brasil tem 20% dos médicos do continente americano e 4,5% dos médicos do planeta, mas 70% desses profissionais estão concentrados no Sul e Sudeste por falta de uma política de interiorização.
O Brasil, disse Paulo Davim, é o segundo país do mundo em número de escolas médicas, com 200 faculdades de Medicina, só perdendo para a Índia, com 257 faculdades. O país forma cerca de 16 mil médicos ao ano, ao passo que os Estados Unidos, com praticamente o dobro da população brasileira, formam 17 mil.
Referindo-se à medida adotada pelo governo, de trazer médicos estrangeiros para trabalhar no Brasil, Davin advertiu que é necessário revalidar seus diplomas.
– Todos os médicos que foram para os Estados Unidos, Inglaterra, França ou qualquer país foram submetidos a exame de revalidação e a exame de proficiência do idioma, porque o médico precisa compreender bem e com clareza o que o seu paciente está dizendo. Se não entender com clareza, ele vai diagnosticar errado e, diagnosticando errado, vai tratar errado, isso é uma lógica direta – afirmou.
Paulo Davim afirmou que os profissionais que vierem a trabalhar no Brasil precisam ser qualificados para que não coloquem em risco a saúde da população, e que possam ainda ajudar na construção do sistema de saúde que o Brasil precisa.
O senador disse ainda que muitos prefeitos que exigem a presença de médico, e oferecem altos salários para a atração desses profissionais, em muitos casos sem observar a Lei de Responsabilidade Fiscal, não cumprem com as responsabilidades do pagamento à categoria, que também precisa de segurança jurídica para atuar.
Em sua avaliação, o Programa Mais Médicos, que integra o Pacto Nacional pela Saúde, lançado pelo governo, que cria a carreira de médico do Estado, dá garantia jurídica e favorece a ida dos médicos para o interior. Ele observou, porém, que é necessária a realização de concurso público, “com salário que realmente chegue à conta do profissional no final do mês”.
– Só poderemos aprimorar esse sistema de saúde se contarmos com pessoas comprometidas com ele. Por isso, acredito que nós temos a possibilidade de ter um bom sistema de saúde, mas feito com pessoas que o conheçam e que se comprometam com ele – afirmou.
Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Senado
