Larissa Bortoni
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa foi preso pela segunda vez na tarde desta quarta-feira (11). O mandado de prisão foi expedido pela Justiça depois de terem sido descobertos cerca de US$ 23 milhões que pertenceriam a ele depositados em contas em bancos na Suíça. O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) lembrou que a CPI Mista da Petrobras já aprovou a convocação de Paulo Roberto Costa e pediu que o depoimento ocorra o quanto antes.
– Esta CPI só se sustenta se adotar providências pontuais. Neste caso, já há razão para que a CPI tome providencia em relação ao Paulo Roberto, que se diz vitima e injustiçado. Não é hora de escamotear, encenar e aceitar essa ação entre amigos – disse Alvaro, que não está muito otimista em relação à possibilidade de que o depoimento ocorra logo, admitindo que a oposição pouco pode fazer por ser minoria na CPI.
Paulo Roberto Costa, que já havia passado 59 dias na prisão, foi ouvido por quase cinco horas pela CPI da Petrobras do Senado na terça-feira (10). Afirmou diversas vezes não ter qualquer envolvimento em denúncias de desvio de dinheiro da Petrobras, como investigado pela Polícia Federal e o Ministério Público, na Operação Lava Jato.
“Me colocaram num processo, que um dia a história vai esclarecer, que eu, de dentro da Petrobras, pintava e bordava. Eu fazia o que eu queria, tinha caneta para fazer isso e colocava dinheiro na mão do doleiro Alberto Youssef, que fazia lavagem de dinheiro. É isso que está no meu processo. No processo da Justiça está isso. E isso não tem o mínimo fundamento. É uma ilação completa de um processo em que denegriram a minha imagem”, declarou o ex-diretor da Petrobras, naquele depoimento.
A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) também defendeu uma ampla investigação das atividades de Paulo Roberto Costa. Esclareceu, porém, que a conduta do ex-diretor não pode ser confundida com a atuação da Petrobras como um todo.
– A empresa não pode ser responsabilizada pelas ações de uma pessoa que tenha sido colaboradora ou que tenha sido diretor. O fato é que havia dúvidas. E eu tive a oportunidade de questioná-lo por que guardar tanto dinheiro em casa, o que não é normal. Agora, é óbvio que com essa nova prisão, que, tudo indica, foi baseada em novos dados e em novos elementos e é preciso que se acrescente. Agora, o que não é possível é confundir a situação da Petrobras com a ação individual de um ex-diretor – disse Vanessa Grazziotin.
Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Senado
