Os moradores de Pescaria Brava sabem que a conquista da emancipação não foi a mais difícil das batalhas. Estruturar o novo município, com todos os aparelhos sociais necessários para um bom funcionamento, é o maior dos desafios.
O aposentado José Braz Soares aponta como necessidades a construção de um posto de saúde, de uma delegacia de polícia e de melhorias nas estradas que ligam as várias comunidades que formam o município.
?No começo, será difícil. Há muito a ser feito, mas acredito que tudo vai melhorar na cidade com o passar do tempo, porque vamos ter um prefeito daqui, que vai fazer as coisas pensando em Pescaria?, afirma.
O casal Santa Regina de Souza e Edson Cardoso são proprietários de um supermercado na comunidade de Santiago. Enquanto ela espera melhorias na área da saúde, com a construção de um local próprio para o postinho que atende a cidade, o marido pede melhorias na infraestrutura.
?Precisamos de estradas melhores. Ficamos abandonados por muitos anos e Laguna não fez nada pra mudar isso?, afirma Cardoso. ?Temos também problemas de abastecimento de água durante o verão?.
Na comunidade de Barreiros, a aposentada Dilma Nunes Medeiros foi um dos eleitores que votou contra a emancipação. ?Pescaria é muito pequena, não tem condições de arcar sozinha com tudo que uma cidade precisa?, argumentou.
Agora que o distrito onde nasceu se transformou em município, torce para que tudo melhore, principalmente na saúde. ?A gente precisava de uma Policlínica aqui. Quando a gente vai pra Tubarão, mandam a gente pra Laguna. E agora que não fazemos mais parte de Laguna, como vai ficar??, questionou.
Perpétua de Oliveira é uma das moradoras mais antigas de Pescaria Brava. Com 96 ou 97 anos de idade, ela acredita que tudo irá melhorar. ?Um hospital seria bom?, afirma.
Arrecadação estimada
Para o 2º secretário da Comissão de Emancipação, João de Oliveira Almeida, o Donga, antes mesmo de eleger seu primeiro prefeito, Pescaria Brava já teve melhorias. A principal via de acesso às comunidades mais populosas, como Santiago e Barreiros, foi asfaltada há poucos anos. ?Já temos uma lotérica e surgiram algumas lojas, de olho nesse novo momento?, afirma.
Almeida estima que a arrecadação do município, inicialmente, fique entre R$ 1 milhão e R$ 1,2 milhão anuais, sem contar as transferências obrigatórias feitas pelo Estado e pela União. Isso, no entanto, pode ser aumentado com a exploração de novas atividades do município.
?Temos terrenos às margens da BR-101, cuja duplicação está praticamente concluída, para a instalação de indústrias. Temos potencial para explorar o turismo rural e o religioso?, explica. Ainda não há um local definido para a instalação da Prefeitura, da Câmara Municipal e dos demais órgãos da municipalidade. (Marcelo Espinoza)
Série Eleições 2012
A Agência AL, juntamente com a TVAL e a Rádio Online, veicula uma série de reportagens sobre os dois novos municípios catarinenses: Balneário Rincão e Pescaria Brava. Nesta semana, você confere a trajetória de Pescaria Brava até a emancipação, os preparativos para a primeira eleição, as reivindicações da população e a importância histórica do novo município.
Fonte: AL/SC
