A penúltima das dez audiências públicas programadas pela Comissão de
Segurança Pública da Assembleia Legislativa para debater a situação da
segurança no estado foi realizada ontem (30), em Rio do Sul, no
auditório da Unidavi. O debate confirmou que a contratação de efetivo
policial, civil e militar, constitui a principal reivindicação do Alto
Vale do Itajaí, tal como ocorreu em outras regiões.
A Comissão de Segurança Pública, presidida pelo deputado Gilmar
Knaesel (PSDB), propôs o roteiro de audiências públicas para ouvir a
sociedade e fazer um diagnóstico dos pontos fortes e fracos do setor.
?Vamos elaborar um relatório que será encaminhado ao governo do
Estado, solicitando que sejam tomadas as providências que dependem do
Poder Executivo. Queremos que esta audiência pública produza
resultados?, explicou Knaesel. Ele pretende dar ciência dos dados
levantados também ao Poder Judiciário, ao Ministério Público e ao
Legislativo.
De acordo com o coronel Álvaro Luiz Alves, comandante regional da
Polícia Militar, o Alto Vale é considerado uma região tranquila, mas o
número de profissionais é insuficiente para o atendimento dos 29
municípios. ?Os crimes pioraram, as penas abrandaram e os efetivos
policiais decresceram?. A PM já teve 465 policiais no Alto Vale e hoje
dispõe de 295. ?A maioria dos municípios tem três policiais, alguns
apenas dois?, informou. Ele relatou que ingressou na Polícia Militar
há 33 anos e existiam 11 mil policiais à época. O efetivo continua o
mesmo, enquanto a população passou de 3 milhões para 6 milhões de
habitantes nesse período.
O delegado de polícia Valério Farias assegurou que, em termos de
estrutura física, Rio do Sul serve de exemplo para o restante do
estado, pois há disponibilidade de viaturas, material de trabalho e
tecnologia. A deficiência está na quantidade de pessoal, e isso limita
a prestação de serviços e a qualidade do trabalho, na avaliação do
delegado. ?Na comarca de Rio do Sul e na região, muitas vezes fica
apenas um policial de plantão. Se houver ocorrência, a delegacia é
desguarnecida?, relatou. Quanto aos tipos de crimes mais praticados na
região, Farias destacou o aumento dos crimes contra o patrimônio e da
violência doméstica, bem como os crimes relacionados ao tráfico de
drogas.
Ao analisar os pontos debatidos durante a audiência, o deputado
Sargento Amauri Soares (PDT) disse que a dificuldade de efetivo é
comum ao serviço público em geral. Em um período de 12 anos,
praticamente não ocorreram contratações na segurança pública, segundo
o parlamentar. ?Metade do efetivo já passou de 20 anos de serviço,
pois entrou na década de 1980. Se as contratações parassem hoje, em
cinco anos restariam cerca de 5 mil policiais na ativa?, informou.
Segundo Soares, o governo Colombo vinha mantendo um ritmo bom de
contratações, mas o comitê gestor mandou cortar custos e as
contratações pararam.
O secretário regional de Rio do Sul, Ítalo Goral, também manifestou
preocupação com o envelhecimento dos profissionais da segurança
pública. ?Está saindo muito mais policial do que entrando, enquanto háaumento da população e da criminalidade. O presídio do Rio do Sul, um dos mais novos e modernos do estado, já está lotado?, informou.(Lisandrea Costa)
Fonte: AL/SC
