Guerra, caos, epidemia. Essas foram algumas das palavras utilizadas por especialistas para classificar a atual situação do trânsito no Brasil. Eles participaram na tarde desta quarta-feira (19) de uma mesa redonda na Assembleia Legislativa, como parte das atividades da Semana Nacional de Trânsito, organizada pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran/SC). Durante o evento, foram empossados os membros da Comissão Intersetorial para Redução de Morbimortalidade por Acidente de Trânsito, com a participação de representantes de 26 entidades.
Os participantes da mesa redonda apontaram possíveis soluções para a redução dos acidentes de trânsito. O secretário-adjunto de Saúde de Florianópolis, o médico Daniel Moutinho Júnior, classificou a situação como uma ?epidemia silenciosa? e destacou que investimentos em transporte coletivo de massa e aumento das penas para quem provoca mortes no trânsito podem ajudar a mudar esse quadro. ?O trabalho da comissão que toma posse hoje é árduo, mas é muito importante para toda a sociedade?, considerou.
Para o ex-diretor do Denatran José Roberto de Souza Dias, a corrupção e o alto índice de analfabetismo funcional na população brasileira colaboram para que o trânsito seja tão violento. Ele também criticou a falta de pesquisas aprofundadas sobre o assunto. ?A responsabilidade por esse cenário é do governo federal e dos estados?, acredita.
Já o engenheiro Roberto de Oliveira, especialista em mobilidade urbana e acessibilidade, afirmou que, além da criação de um órgão de pesquisas sobre o trânsito que integre toda a Grande Florianópolis, são necessárias medidas mais duras para a redução do tráfego e da ocupação da Ilha de Santa Catarina.
Oliveira afirma que a reativação da Ponte Hercílio Luz seria uma excelente alternativa, mas descartou o BRT como sistema de transporte de massa. O engenheiro criticou o modelo de concessão de ônibus vigente na cidade. ?Enquanto o modelo não deixar de ser um feudo, os problemas não serão solucionados?.
Comissão é empossada
Reduzir pela metade, num período de dez anos, o número de mortes no trânsito é o principal desafio da Comissão Intersetorial para Redução de Morbimortalidade por Acidente de Trânsito, cujos membros foram empossados nesta quarta-feira. Participam do comitê secretarias municipais e estaduais, Detran, Deinfra, Dnit, organizações sociais ligadas ao trânsito, Polícia Militar, Polícias Rodoviárias Estadual e Federal, Bombeiros, Samu, Ipuf, Ministério Público, Sest/Senat, entre outras entidades.
A Assembleia Legislativa é representada pela Comissão de Transportes e Desenvolvimento Urbano. Conforme o presidente da comissão, deputado Valmir Comin (PP), além dos investimentos em infraestrutura de transportes, são necessárias medidas na área da educação para o trânsito. ?Devemos discutir a inclusão do trânsito no currículo escolar?, afirmou.
O secretário de Saúde de Florianópolis, Clécio Antônio Espezim, afirmou que a nova comissão não vai apenas acompanhar e avaliar as ações tomadas pelo poder público com relação ao trânsito, mas intervir quando achar necessário. ?Já realizamos um trabalho com as equipes do PSF em Florianópolis, mas precisamos incrementar as ações de prevenção?, disse. (Marcelo Espinoza)
Fonte: AL/SC
