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MPF/SP denuncia 16 envolvidos em esquema de câmbio ilegal e lavagem

O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF/SP) ofereceu na sexta-feira, 25 de setembro, denúncia contra o uruguaio Ricardo José Fontana Allende, o argentino Federico Hernan Las Heras e mais 14 envolvidos na Operação Harina, deflagrada em 28 de agosto pela Polícia Federal. A quadrilha agia entre o Brasil e o Uruguai e foi denunciada pelos crimes de câmbio ilegal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Todos os denunciados tiveram prisão decretada pela Justiça Federal, a pedido do MPF/SP.

Allende é acusado de chefiar a organização criminosa. Em diálogos interceptados a partir de outubro do ano passado, o empresário, que atua no Uruguai mas tem visto e família no Brasil, usava como fachada sua operadora de turismo Expo Brasil Passagens e Turismo Ltda para camuflar atividades de câmbio ilegal e transferências clandestinas ao exterior, em especial, em favor de clientes brasileiros.

Segundo a denúncia, Ricardo Allende “agia e, como foragido, ainda deve seguir agindo” sem se expor, por meio de intermediários como Gustavo Alfredo Orsi (“Junior”), Fabio Andres Guerra Flora, Mario dos Santos Casallechio, Renata Soares de Souza Schimdell e Michel da Cunha Reis, todos denunciados. Encarregados do fechamento das operações, eles operavam também, virtualmente ou por telefone, do Uruguai, encaminhando comprovantes de depósitos de câmbios ilegais efetuados com os brasileiros.

Um integrante da organização era orientado a entregar cheques de clientes brasileiros em empresas com contas no Brasil, como a Trigomax Comércio Importação e Exportação, controlada por Federico Hernan Las Heras. O esquema funcionava da seguinte forma: o denunciado Gustavo Alfredo Orsi era orientado por Allende e Las Heras a depositar cheques de clientes brasileiros em contas de empresas pertencentes a Las Heras, como a Trigomax Comércio Importação e Exportação. Os cheques eram depositados em troca de dólares que Las Heras, por meio da emissão de letras de câmbio,  disponibilizava no Uruguai em favor da referida céula criminosa ou de clientes que para lá desejassem remeter seus recursos de origem ilícita e não declarada. Allende também possuía uma offshore em Montevidéu, no Uruguai, a Emilor S/A, com nome fantasia Câmbio Europa, aparentemente não declarada no fisco brasileiro.

Foi constatado que se tratava mesmo de uma organização criminosa, segundo a denúncia, com seis células. “A movimentação de recursos incompatíveis com a ocupação/atividade e a renda declarada por pessoas físicas e jurídicas, ocultação de bens em nome de terceiros (“laranjas”)”, entre outros fatores, caracteriza a organização, afirma a procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn, autora da denúncia. O MPF, devido à dimensão do caso, teve de pedir pelo desmembramento da investigação, com o fim de viabilizar a investigação por autoridades dos estados onde estão sediadas as células da organização criminosa.

Laranjas – De acordo com a denúncia, Allende mantém parte de seu patrimônio em nome de terceiros, como o restaurante El Tranvía, que pertence ao denunciado Fábio Andres Guerra Flora, empregado de Allende na célula. O empresário teria usado o nome de outro laranja, também citado na denúncia, para comprar seu imóvel, no condomínio de Alphaville. No Uruguai, Allende oculta os recursos evadidos pela organização criminosa sob a fachada de empresas ali estabelecidas (operadoras de turismo e off-shores), por meio das quais livremente opera o mercado de câmbio paralelo e a cabo, com a ativa participação dos integrantes da célula  denunciada.

Harina – A investigação, batizada com o nome de Operação Harina, começou na Polícia Federal depois do recebimento da notícia de que o argentino Federico Hernan Las Heras, ao lado do doleiro Gustavo Alfredo Orsi (“Junior”) atuariam no mercado paralelo de câmbio de moeda estrangeira, com remessa de valores ao exterior. Las Heras liquidava valores provenientes da atividade ilegal de câmbio de Junior, movimentando por mês cerca de US$ 500 mil, por meio de depósitos em contas mantidas no Brasil vinculadas a empresas registradas em nome de terceiros, mas de propriedade de Las Heras, como a Whithorn Comércio de Alimentos Ltda. Por meio dessas empresas eram feitas as importações de farinha dos moinhos sediados na Argentina e Uruguai e havia suspeita de superfaturamento nos contratos de câmbio, além de outras irregularidades. A partir dessas investigações e com a interceptações telefônicas autorizadas judicialmente, foi descoberto o esquema da organização criminosa cujo chefe é Ricardo José Fontana Allende.

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Fonte: MPF

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NOTÍCIAS,. MPF/SP denuncia 16 envolvidos em esquema de câmbio ilegal e lavagem. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2009. Disponível em: https://investidura.com.br/noticias/mpf/mpf-sp-denuncia-16-envolvidos-em-esquema-de-cambio-ilegal-e-lavagem/ Acesso em: 21 mar. 2026