O Congresso Nacional vai receber nesta segunda-feira (23) a visita oficial do presidente da República Islâmica do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Os presidentes da Câmara, Michel Temer; e do Senado, José Sarney, receberão o presidente iraniano às 15h45, no Salão Nobre do Senado Federal.
Críticas à visita
Alvo de protestos nas últimas semanas, a vinda do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil também causa polêmica no Congresso Nacional. O deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) promete pedir a Câmara que recuse a visita do presidente iraniano ao Plenário, caso a diplomacia daquele País já tenha solicitado.
Para Rocha Loures, pelas agressões a minorias, como as mulheres e judeus, e pelo caráter ditatorial do governo iraniano, acusado de fraude eleitoral, o Brasil não deveria aceitar a visita de Ahmadinejad. “É uma visita inoportuna, traz uma sombra para o Congresso brasileiro. Eu sou contrário a que ele venha a fazer uma visita à Casa da democracia do povo brasileiro, até porque sua própria reeleição está sendo contestada por suspeita de vício e fraude.”
O parlamentar ainda questiona quais seriam as agendas que aproximam Brasil e Irã. “Por acaso há interesse em desenvolver armas nucleares? Por acaso nós precisamos do petróleo deles, quando temos o pré-sal? É um equívoco, e, caso venha ao Plenário, vou encaminhar uma moção ao presidente Michel Temer para que não aceite”.
Mediador internacional
Já o deputado Maurício Rands (PT-PE), integrante da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, diz que, ao receber o governo iraniano, o Estado brasileiro não está apoiando atitudes e posturas de Ahmadinejad, apenas cumprindo um importante papel de mediador internacional. “É normal que haja tensões, sobretudo com nossos irmãos da comunidade judaica, que se sentem agredidos pelo Ahmadinejad. Por outro lado, a própria comunidade internacional tem pedido ao Brasil, através do presidente Lula, que mantenha o diálogo com o regime do Irã, até para viabilizar uma solução pacífica, que não implique um conflito armado de proporções imprevisíveis.”
Rands lembrou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu ao presidente Lula que conversasse com o Ahmadinejad. “Evidentemente, tanto o Brasil quanto o Irã, pelo petróleo, são grandes economias e precisam dialogar”.
O professor de Relações Internacionais Gunther Rudzit reconhece que, ao receber o presidente do Irã, o Brasil pode assumir posição de destaque como mediador internacional. Mas ele destaca que a situação envolve riscos. “Se o presidente Ahmadinejad estiver aqui no Brasil e der uma daquelas suas declarações bastante controversas, isso pode comprometer completamente essa perspectiva. Se o país deseja ter uma posição de destaque no sistema internacional, uma potência a ser respeitada e consultada, vai ter de correr esses riscos.”
Rudzit espera que as consultas prévias para a visita estejam sendo muito bem organizadas, “exatamente para não complicar nossa posição em um momento tão delicado em que o mundo se encontra diante do programa nuclear iraniano”.
Ainda para o professor Gunther Rudzit, um eventual aumento da relação comercial com o Irã ou aproximação da política nuclear iraniana não compensa o risco de sanções econômicas dos países ricos. Ele também destaca que o governo deve se preparar para novos protestos contra o presidente iraniano que certamente vão ocorrer durante a visita ao Brasil.
Acordos bilaterais
O presidente iraniano deve firmar 23 acordos bilaterais envolvendo energia, petroquímicos, alimentos, medicamentos, entre outros.
Para as autoridades iranianas, a visita de Ahmadinejad ao Brasil representa a possibilidade de reduzir as resistências à figura do presidente. Há dois anos a visita é negociada, a ideia era tê-la realizado em maio, mas Ahmadinejad alegou que estava em período eleitoral. Porém, há suspeitas de que o adiamento foi definido pelas várias críticas ocorridas no Brasil à presença do iraniano.
Reeleito em junho com cerca de 63% dos votos contra 34% do principal candidato da oposição, Mir Hossein Mousavi, Ahmadinejad pretende nesta viagem mostrar que superou as restrições internas e que busca acordos internacionais que melhorem a qualidade de vida no Irã – uma vez que o país sofre com o embargo imposto pelos norte-americanos.
Matéria atualizada às 19h24.
Fonte: Portal Câmara dos Deputados
