O Partido da República está revendo o apoio ao governo na Câmara e poderá deixar a base aliada para adotar posição independente. Em entrevista à Rádio Câmara, nesta sexta-feira, o líder do PR, deputado Lincoln Portela (MG), admitiu que a maioria dos parlamentares da legenda já manifestou a intenção de assumir posição de independência nas votações.
No Senado, o PR já desfez o bloco que formava com o PT. As relações do partido com o governo ficaram conturbadas após as denúncias que levaram à demissão do ex-ministro dos Transportes, o senador Alfredo Nascimento, que também é presidente nacional do PR. Apesar disso, o deputado Lincoln Portela garante que a possível independência do partido não deve ser vista como revanche.
O líder já descartou, no entanto, qualquer chance de o PR ir para a oposição. "Nós não estamos mais discutindo o passado. Estamos olhando para a frente. O Partido da República não é rancoroso. Nós estamos nesse projeto de governo há 16 anos e vamos prosseguir a nossa vida. Não há nenhum rancor nem retaliação, mas há posições a serem tomadas.”
Sem revanchismo
Portela disse que dos 39 parlamentares do partido, 90% querem ir para a independência. “Estamos revendo o nosso posicionamento, sem rancor nem revanchismo. Caso o partido vá para a independência, haverá um apoio crítico, ele não vai para oposição. O partido não pretende fazer oposição a um governo em que acredita."
Lincoln Portela não esconde as queixas do PR e de outros partidos da base aliada em relação ao tratamento recebido pelo governo Dilma. "O maior problema não é da Câmara para o governo, mas do governo para a Câmara. Nunca houve, nos seis primeiros meses de governo, uma base tão fiel como essa. Mas, na realidade, a recíproca não tem sido verdadeira".
O líder afirmou que as críticas não são dirigidas especificamente à presidente Dilma Rousseff, mas a vários ministros que, segundo ele, às vezes até se negam a receber os parlamentares.
Afastamentos do Ministério dos Transportes
Quanto ao afastamento de 22 pessoas do Ministério dos Transportes, no auge da crise, o líder do PR fez questão de afirmar que nem todas eram do partido e criticou o que chama de "estado policial" no País. "Está se dizendo em todo o Brasil que os 22 eram indicação do PR e que os 22 eram corruptos. Isso é um estado policial em que a condenação aconteceu em um abrir e fechar de olhos. As pessoas não tiveram direito ao contraditório, que é a essência da democracia. E mais: todo o partido é considerado corrupto em um julgamento político nacional. Isso é realmente um absurdo".
Falhas no diálogo
O líder do governo no Congresso, deputado Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS), ainda acredita na permanência do PR na base aliada. Ele também admitiu falhas no diálogo do governo com sua base. "Não há como não se creditar à falta do diálogo qualquer falta de entendimento. Não se conversou o bastante. Talvez o tempo do governo seja um e o tempo de determinados parlamentares seja outro, mas nós vamos chegar a bom termo. Confio nisso. Eu vou torcer para que as coisas continuem como estão sendo”.
O líder acrescentou que o governo precisa do PR ao seu lado para compor a base necessariamente forte para enfrentar esse momento difícil da economia no mundo.
Segundo Mendes Ribeiro Filho, o PR tem sido "extremamente leal e valioso" na base governista.
Fonte: Portal C?¢mara dos Deputados
