No dia 11 de agosto, data em que completa dois anos da morte da Juíza Patrícia Acioli, representantes da Magistratura nacional prestam homenagens à memória da Magistrada, assim como cobram das autoridades mais segurança para a categoria. Patrícia Acioli foi assassinada com 21 tiros quando chegava a sua casa, em Niterói, no Rio de Janeiro, pelo crime organizado.Diante desse lamentável episódio e em razão de no Brasil haver mais de 400 Magistrados ameaçados de morte, a atual gestão da AMB tem se empenhado na defesa da criação de uma política nacional de segurança para todos os Juízes brasileiros. O Presidente da AMB, Nelson Calandra, tem se preocupado com o tema desde o início de sua gestão. Tanto que criou a Secretaria de Segurança dos Magistrados.A Magistratura não está parada e tem se mobilizado com atos e manifestações públicas, caminhadas, assim como homenageando o nome de Patrícia Acioli em eventos e ações que tratem da defesa do Magistrado.O Presidente da AMB, Nelson Calandra, lembra a tragédia e mostra que a luta ainda não terminou. “Nós seguimos nessa senda pedindo e reiterando as reivindicações , como a mudança na lei penal, no código de processo penal, porque nós não conseguimos conceber que alguém julgado pelo Tribunal do Júri, que recebe uma pena máxima saia pela porta da frente, como se tivesse ido fazer um piquenique no Tribunal de Justiça”, compara o Magistrado. E conclui: “enquanto o cidadão brasileiro não tiver segurança, nenhum dos Juízes terá segurança”.A Vice-Presidente de Direitos Humanos da AMB, Renata Gil, destacou que o sentimento que tem hoje é de perda de um ser humano excepcional e uma Magistrada totalmente dedicada à Justiça. “A AMB não só envidou todos os esforços jurídicos para impulsionar o processo de julgamento dos acusados pela morte de Patrícia Acioli, como ofereceu apoio à família dela. Então, esse lado humanístico da Associação faz despir da sua atuação jurídica e atingir uma pessoa humana por meio de seus dirigentes. O Presidente Calandra esteve ao lado da família em todos os momentos e nas reuniões na sede da AMB sempre buscou um ponto de força e apoio às questões de apuração da morte da Juíza, assim como todos os membros da AMB e demais Diretores que se fizeram presente”.Renata Gil espera ansiosamente pelo julgamento das autoridades que ainda não foram julgadas, ponto fundamental para que esse caso seja encerrado. “Enquanto esse julgamento não acontecer a AMB não estará tranquila. Espero que a conclusão do caso seja breve e Patrícia Acioli seja vista com um legado de Justiça”.Família fala da saudade que Patrícia deixou na vida de todosSimone Acioli, irmã da Juíza assassinada, fala com a voz embargada sobre a saudade que sente. “Ela está fazendo muita falta para toda a família: filhas, irmãos, mãe e demais familiares”, referindo-se ao vazio que ela deixou.Em relação ao andamento dos processos lamenta a lentidão da Justiça. “Está demorando demais o julgamento dos acusados, uma vez que dos 11 acusados, cinco foram julgados e condenados. Ainda faltam seis”, reclama.“A família está muito feliz com as condenações, mas ainda falta o julgamento, especialmente, os dos mandantes do crime, julgamentos esses que são fundamentais para termos Justiça”.Segundo Simone, a família está muito preocupada com o tempo decorrido. “ É necessário que os recursos que restam sejam usados o mais rápido possível para que o julgamento dos mandantes seja marcado”.Simone destaca a importância da AMB ao acompanhar o caso da morte da Juíza desde o começo. “A atuação foi importante no sentido de agilizar o julgamento dos acusados. Quanto mais o tempo passa, mais fica a sensação de impunidade. A mobilização da AMB tem sido muito importante. Esperamos que a Associação continue acompanhando todas as esferas da Justiça”, reforça.O primo de Patrícia, o advogado Pedro Paulo Lourival Carriello, demonstra nesse momento que há uma mistura de sentimentos e reforça uma posição: “Foi a retirada da escolta dela que permitiu esse absurdo”.“O sentimento nos remete à tristeza, mas ao mesmo tempo pelo saudosismo, porque ela era alegre, festiva, fraterna, sensível e muito família. Essa era uma data que ela estaria conosco comemorando. Esse domingo vai nos marcar para sempre, por ser o Dia dos Pais”. E completa: “A família acredita que essa perda foi um abalo à democracia”.Outro ponto positivo apontado por Pedro Paulo foi o acompanhamento da AMB no caso. “O papel da AMB tem sido essencial nessa luta, porque a morte dela ocorreu em razão da sua atuação ao combater o crime organizado”.O ex-cunhado da Magistrada, José Augusto Garcia, fala do tempo que se foi e o sentimento que ficou. “A gente olha para as coisas que estão acontecendo no Brasil e não é difícil lembrar de Patrícia. Ela sempre foi muito forte. A atuação dela na Magistratura mostra isso. Ao vermos essas manifestações, a vinda do Papa Francisco I com um discurso revolucionário. É uma perda absolutamente irreversível”, lamenta.José Augusto ressalta que a “AMB tem dado um grande apoio no sentido afetivo e tem cumprido seu papel da melhor forma possível, reverenciando a memória da Magistrada lembrando que a Associação apresentou a proposta de criação do Instituto Patrícia Acioli”.Wilson Chagas, ex-marido de Patrícia Acioli, lembra a morte da Juíza, mãe de suas duas filhas Ana Clara e Maria Eduarda. “Faz dois anos, mas a saudade é muito grande. A família ainda não conseguiu se reestruturar. Ainda sofremos com a violência. Essa semana está sendo complicada por causa das meninas, pois é muito dolorido. É uma ferida que não se fechou pela falta que ela faz”, diz Wilson.“Patrícia Acioli é descrita como uma mulher com espírito de liderança, que gostava do convívio da família, especialmente em datas como o Dia dos Pais”, relata Wilson.O andamento do julgamento dos acusados é visto com bom olhos por Wilson e a família. “As condenações estão vindo pelas respostas dos jurados. A justiça, aos poucos, está sendo feita”.De acordo com Wilson a presença da AMB é fundamental diante da tragédia. “Desde o começo que a Associação tem nos atendido em tudo que precisamos. Contamos com o apoio e o carinho do Dr. Calandra. A AMB é voltada para defender os Magistrados e está desempenhando muito bem o seu papel. Somos muito gratos por isso”.Violência contra a JustiçaO advogado da família de Patrícia Acioli, o jurista Técio Lins e Silva, disse que a morte da Magistrada foi uma execução realizada pelo braço armado do próprio Estado. “Eram todos agentes públicos, soldados da PM, sendo dois oficiais da corporação. Uma quadrilha integrada por 11 membros da PM do Estado do Rio de Janeiro. A gravidade é do próprio Estado. Ela recebeu 21 tiros de balas compradas pelo contribuinte”,afirma.De acordo com o jurista, se Patrícia ainda contasse com a escolta que a acompanhou por alguns anos, talvez o crime não tivesse ocorrido. Os processos de julgamento, continuam em andamento satisfatório. “Nesse pouco tempo tivermos cinco réus julgados e condenados. Espero, que ainda esse ano os outros sejam julgados”. Para Técio a Juíza está fazendo falta ao Judiciário. ”Tenho a esperança de que seu exemplo possa reproduzir na justiça brasileira outras Patrícias, com a mesma independência, senso de Justiça, porque ela não perseguia os criminosos, ela defendia as famílias vítimas de grupos de extermínio”.
Fonte: AMB
