O deputado Miki Breier (PSB) presidente do Bloco Brasileiro da União de Parlamentares Sul-Americanos e do Mercosul (UMP), participou de colóquio promovido pela Universidade Americana, nos dias 28 e 29 de junho. O encontro contou com a participação dos deputados Sebastián Acha (Pátria Querida) e Héctor Ocampos (Partido União Nacional de Cidadãos Éticos – Unace) e dos senadores Iris Recalde (Partido Liberal Radical Autêntico) e Abdón Seguier (Partido Liberal Radical Autêntico).
“Estamos aqui para mostrar solidariedade e acompanhar o que acontece no Paraguai. Buscamos os elementos para se fazer uma avaliação mais aprofundada, através das diferentes versões. O que acontece nos países do bloco, nos interessa. Queremos uma democracia fortalecida, com respeito aos direitos humanos. O que acontece em cada um deles, afeta a América Latina e, principalmente, as pessoas. Respeitamos a soberania do Paraguai e estamos aqui para ajudar a consolidar fronteiras fraternas nas relações internacionais”, afirmou Miki Breier.
Andres Benkö, Reitor da Universidade Americana, reforçou os laços de cooperação que existem entre os dois países no campo da educação. “Tivemos sempre uma aliança estratégica e impressionante positiva, que não tem cores políticas, e que deverá se ampliar cada vez mais”, destacou.
Manifestações
O senador Abdón Seguier foi enfático em defender a lisura da ação que afastou o ex-presidente Fernando Lugo. “A constituição paraguaia consagra o impeachment. As causas foram o mal desempenho do governo e as ações consideradas crimes”, afirmou. “As únicas exigências da constituição são de que o acusado tenha possibilidade de se defender e que isso seja público”, completou. Segundo ele, os prazos estavam ajustados à realidade da ação parlamentar diante do que classificou como “ameça de reação militar” por parte do então presidente.
Héctor Ocampos condenou a utilização da palavra golpe para definir o afastamento. “Lugo teve todo o direito de cumprir o ritual, como fez. Assim como aceitou o veredito. Isso assinala que todas as instituições ministeriais e autarquias, entendem que o novo presidente é Federico Franco, com o apoio massivo dos setores produtivos e rurais. Tando que as manifestações contrárias se dissipam na véspera do afastamento e, no dia seguinte, o Paraguai amanhece limpo, em paz e novo, como se não houvesse nada. O golpe aparece a nível intencional, provocado por Argentina e Bolívia. Não tanto pelo Brasil, que adota uma postura mais coerente, como o Chile. É uma interpretação ideológica, não política”.
A senadora Iris Recalde disse que a responsabilidade de não ter havido defesa foi dos advogados de Lugo e assinalou a posição de sua sigla, o Partido Liberal. “Lugo não recebia mais o partido, depois que lhe emprestamos apoio na eleição. O congresso analisou a sua incapacidade de exercer o governo, e esta foi a razão do julgamento político. Federico Franco também foi eleito legitimante e está outorgado a permanecer no cargo”, apontou.
Na opinião do deputado Sebastián Acha, o enfrentamento que resultou na morte de campesinos e policiais foi decisivo no processo de afastamento do ex-presidente. “Buscamos todos os modos de esclarecer este doloroso episódio junto ao governo. Não houve retorno. Lamento que o final tenha sido o afastamento. Mas, esperamos que seja no sentido de uma mudança de rumos”, destacou.
O encontro também contou com a participação de Juan Reranger, Diretor de Porrogado da Universidade Americana; Fátima Bastos, Diretora Acadêmica; e da professora Sandra Vial, assessora da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.
Fonte: AL/RS
