Baixa procura e altos índices de evasão pelos cursos técnicos foram os principais pontos levantados na audiência pública promovida na noite desta segunda-feira, dia 27, na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul pela Comissão Especial para Tratar do Ensino Profissional da Assembleia Legislativa, para debater a forma de atuação das instituições de ensino profissional – públicas e privadas – na definição de prioridades e cursos de capacitação técnica, aprendizagem e qualificação. Os encaminhamentos da audiência foram a formação de um fórum, composto por representantes do Observatório do Trabalho da Universidade de Caxias do Sul, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), 4ª Coordenadoria Regional de Ensino (4ª CRE), da Secretaria Municipal de Educação (Smed), Senac, Senai, Escola Técnica, FGTAS, Murialdo – Ação Social, Câmara de Vereadores e Assembleia Legislativa. O primeiro encontro do grupo será realizado no dia 7 de junho, às 14h, na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul.
Outra proposta aprovada na audiência foi a de realizar um seminário sobre a nova perspectiva pedagógica. “Ninguém que queira ser sujeito gosta de ser dependente, então talvez a saída esteja em definir a forma de se elaborar os cursos para atender às necessidades dos jovens, de acordo com o desenho econômico da nossa sociedade”, afirmou a presidente da Comissão, deputada Marisa Formolo (PT), defendendo a necessidade de otimizar a utilização de recursos, oferecendo um sentido à vida dos jovens que fazem um curso técnico. “Não queremos formar trabalhadores, mas empreendedores. Os jovens precisam se sentir motivados e protagonistas”.
Para Marisa, é preciso compreender as condições de vida das pessoas. “O ensino profissional não é apenas uma forma de acesso ao mundo do trabalho. É também uma forma de possibilitar o resgate da cidadania e por isso é necessário que leve em conta toda uma realidade”. A informação foi endossada pela vereadora Denise Pessôa, que relatou casos em que os alunos sofrem preconceito até pelo local em que residem. “Se sentem mal por não serem aceitos e acabam evadindo”. A parlamentar também trouxe as dificuldades enfrentadas pelos jovens para se profissionalizarem e permanecerem no campo. Por meio do Pronatec, defendeu, é necessário ofertar curso de agroecologia para garantir que os jovens encontrem uma alternativa e sintam vontade de permanecer no campo, mas se sintam incluídos.
A líder comunitária, Tania Menezes, defendeu a erradicação não apenas da pobreza extrema, mas dos trabalhos insalubres. “Temos que fazer funcionar nos município as comissões de emprego. Os municípios não se organizam e as comissões de trabalho e emprego precisam estar mais atuantes”. Padre Roque: tem uma coisa errada nesse processo que está sendo implantado, que trata do desenvolvimento. Mas precisamos nos pautar por uma pesquisa antropológica, de olhar da realidade em que estamos. “É preciso cativar. Se não houver encantamento, nossos jovens continuarão evadindo dos cursos”.
O coordenador de Ensino da Universidade de Caxias do Sul, Roberto Itacyr Mandelli, observou a baixa procura pelos cursos de licenciatura e lembrou que a instituição começou na década de 70 com cursos de tecnologia e na década de 90 cursos de tecnologia voltados para a vocação econômica da região, como os tecnólogos em automação industrial, produção moveleira, etc. “É importante que os estudantes utilizem os cursos técnicos para a formação superior, com o aproveitamento dos estudos”. Alguns cursos técnicos também teriam tido baixa procura. “Precisamos nos questionar porque isso ocorre, se por problema de gestão ou de falha na formação de nível médio”.
A coordenadora da 4ª CRE, Cleudete Piccoli, afirmou que já estão sendo realizadas às escolas para explicar a proposta do politécnico. “Todo mês a coordenadoria trabalha com formação pedagógica e em cima disse, trabalhamos em parceria com as escolas para trabalhar com professores e alunos”. Muitas vezes, afirma a professora, a metodologia está equivocada nas escolas, mas é um método inovador. A representante do estado deixou uma provocação. Pediu que se tente responder algumas questões: porque da baixa procura, a não realização das matrículas e preenchimento das vagas.
Já a diretora do IFRS – Campus Caxias, Tatiana Weber, lembrou que os institutos federais precisam ofertar 50% de vagas em cursos técnicos, integrados com o ensino médio, de atender ao arranjo produtivo local, por isso, a comunidade é ouvida. “Na concepção dos institutos temos a prerrogativa do aproveitamento de disciplinas, que otimiza o ensino”. A oferta de novos cursos, explicou, é feita de acordo com a relevância do curso, por isso é necessário ouvir o possível público do ensino médio e o setor produtivo. “Temos oferta, cursos com qualidade, há demanda de profissionais, mas não temos jovens interessados”. Sobre o Pronatec, Tatiana disse que Caxias está começando agora, tentando atuar em uma nova perspectiva. “Queremos trabalhar a inclusão, onde há carência de profissionais e em comunidades que precisam”.
Ministério do Trabalho confirma baixo interesse dos jovens na educação profissional
Segundo o representante do Ministério do Trabalho, Vanius Corte, Caxias do Sul tem 3.733 vagas de aprendizes. São jovens que aprendem e recebem salário, mas metade delas não está preenchida. “Hoje cerca de 1,5 mil estão preenchidas e apesar de não ser muito bom, é um dos melhores índices do país”. Já os cursos oferecidos para as pessoas com deficiência não há evasão. “Toda mão de obra será necessária daqui há cinco anos. O mundo do trabalho é bom por isso, pois precisa de profissionais em muitas áreas”.
Fonte: AL/RS
