No caleidoscópio que tem sido a definição dos nomes dos postulantes à prefeitura de São Paulo, o último fato relevante é a inclinação de José Serra
para concorrer. Depois de relutar, parece que o político paulista percebeu que é o único nome capaz de unir o partido e provavelmente o único capaz de
vencer seus adversários pelo PSDB.
Nunca é demais lembrar que as eleições paulistas não se esgotam em si. Estamos vendo aqui o esforço decisivo do PT para conseguir a hegemonia total.
Ganhar a prefeitura de São Paulo é peça fundamental nessa escalada, que objetiva tomar o Palácio dos Bandeirantes em 2014. Mesmo aqueles que não gostam
de José Serra precisam reconhecer que seu nome adquiriu essa dimensão superior, de ser alguém capaz de segurar a marcha do PT no rumo do poder total.
E não adianta vir com o discurso de que Haddad e Serra são iguais. Não são. O PT tem como agenda secreta empolgar o poder total e dele não mais sair.
Suas convicções totalitárias são reiteradas a cada momento. A última entrevista de Fernando Haddad, publicada no jornal O Estado de São Paulo,
reafirmou isso ao explicitar sua adesão ao marxismo cultural, que nada mais é do que o velho marxismo-leninismo com roupagens de degeneração moral, daí
seu apoio aos movimentos contra o casamento tradicional e a favor do aborto. E pelo famigerado kit gay, que tentou implantar quando no MEC. Tudo no PT
é farsa e mentira, conforme o belo artigo de Demétrio Magnoli hoje publicado naquele jornal (Duplipensar).
Já José Serra e seu PSDB acreditam na alternância de partidos e têm a democracia como valor. Não é pouca coisa quando se está sendo assediado pelo
monstro do totalitarismo latente no PT.
José Serra tem o dever patriótico de não fugir ao desafio eleitoral lhe colocado pelo destino. De fato, a única força capaz de atrapalhar os planos do
PT é o PSDB de São Paulo e ele é o nome capaz de unir o partido e de compor um arco de alianças capaz de triunfar. Até o errático prefeito Gilberto
Kassab seria subtraído às hostes petistas diante da sua candidatura.
Meu argumento para apoiar José Serra nessa eleição é dizer que Hitler, até 1933, não representou perigo algum, pelo simples fato de que não dispunha do
poder total. Não quero pagar para ver o que o PT poderia fazer se eventualmente ganhasse a prefeitura de São Paulo e o governo do Estado, no ano que
vem.
* José Nivaldo Cordeiro, Executivo, nascido no Ceará. Reside atualmente em São Paulo. Declaradamente liberal, é um respeitado crítico das idéias
coletivistas. É um dos mais relevantes articulistas nacionais do momento, escrevendo artigos diários para diversos jornais e sites nacionais. É Diretor
da ANL – Associação Nacional de Livrarias.
