Quando a gente se inquieta com a demora na evolução das instituições e com a mediocridade de muitos dos seus dirigentes – nem todos tão qualificados para o mandato que quer assumir à força de muito insistir – tem de acalmar o pensamento sobreexcitado, estacar o passo e parar para refletir sobre outros valores que independem das instituições e de qualquer fator de tempo e espaço, passando a ter absoluta certeza das imensas potencialidades do ser humano quando se depara com exemplos extraordinários como o da mãe referenciada pela Lista da Associação dos Magistrados Brasileiros em 19/06/2007:
Quando a agricultora Cacilda Galante, 36 anos, descobriu, no quarto mês de gravidez, que carregava no ventre um feto sem cérebro (anencefalia), os médicos disseram a ela que, se o bebê nascesse com vida, resistiria apenas por algumas horas. Com muita sorte, viveria poucos dias. Contrariando os prognósticos, Marcela vai completar 7 meses na quarta-feira. Para a mãe, um milagre. Para os médicos, um mistério.
Depois de passarem cinco meses no hospital, ela e a mãe vivem sozinhas numa casa de dois cômodos, com poucos móveis, no centrinho de Patrocínio Paulista, a
A menina nasceu com
Ela sente fome e chora quando a comida não chega na hora certa. Faz reina quando está com cólica, e se mexe irritadamente quando não está numa posição que lhe agrade. Prefere os dias frios aos de muito calor porque transpira e fica inquieta. Marcela se alimenta com a ajuda de uma sonda, que vai até seu estômago. Ela não precisa de aparelhos para respirar, mas usa uma espécie de capacete, que concentra o oxigênio, para evitar que fique cansada.
As informações são do Jornal da Tarde.
Fico imaginando o que uma pessoa desse nível moral pensa sobre as nossas elucubrações jurídicas sobre os bebês anencéfalos?
Mas suponho que nos considere verdadeiros imbecis, mas, por uma questão de cortesia, nunca vai nos dizer o que pensa…
* Luiz Guilherme Marques, Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Juiz de Fora (MG).
