Sociedade

Os Barões de Cotegipe e as Princesas Isabel de Hoje

 

                Talvez o mais prestigioso e ardoroso defensor da escravidão no Brasil tenha sido o BARÃO DE COTEGIPE.

 

                Quando a PRINCESA ISABEL se fez vitoriosa na luta pela abolição da escravatura, GOTEGIPE afirmou-lhe profeticamente que ela perderia a coroa como ônus pela vitória, ao que ela retrucou que ficaria feliz se tivesse cem coroas e as perdesse todas face à nobre finalidade a que se propunha…

 

                A fonte de renda do empresariado se resumia, na época, à produção agrícola, fundada no trabalho escravo.

 

                Tais empresários valorizavam sobretudo as quantias que tinham  empregado na aquisição dos escravos e consideravam aqueles homens, mulheres e crianças como propriedade sua, da qual podiam livremente usar, por e dispor. Aliás, os escravos eram considerados semoventes, tanto quanto os bovinos, eqüinos etc.

 

Vingaram-se dos prejuízos materiais sofridos em decorrência da perda da mão de obra escrava apoiando as ambições de militares rebeldes, que pretendiam dar um golpe de estado.

 

Comandados pelo Marechal DEODORO, proclamou-se a República com convicção política verdadeira, mas, acima de tudo, o espírito de vindita.

 

                Se compararmos COTEGIPE e ISABEL, veremos duas realidades totalmente diferentes: o primeiro, sem nenhum respeito aos Direitos Humanos, à Religião e ao idealismo; a segunda, a observância total dos Direitos Humanos, da Religião e do idealismo. Para um, o dinheiro é o mais importante; para a outra, o ser humano.

 

                Até hoje, há pessoas dos dois tipos, que atuam em todos os segmentos da sociedade.

 

                Os adeptos da ideologia de GOTEGIPE fazem tudo para si próprios e não enxergam o povo a não ser como pedestal para seus próprios interesses.

 

                Os seguidores do estilo de ISABEL vêem na evolução e no bem-estar do povo suas metas de vida.

 

                Os primeiros consideram o povo indigno de atenção, tal como os escravagistas desprezavam os negros.

 

                Os segundos não se afastam dos excluídos da sociedade, porque os julgam seus iguais.

 

                Haverá um dia em que somente os segundos serão eleitos ou aprovados nos concursos públicos, porque os primeiros não merecem ocupar cargos no Serviço Público, uma vez que não têm o ideal de servir.

 

                Os GOTEGIPES devem ser empresários ou profissionais liberais, mas nunca servidores públicos, porque, mesmo quando são muito preparados intelectualmente, não detêm a virtude mais importante…

 

 

*Luiz Guilherme Marques – Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Juiz de Fora – MG

 

Como citar e referenciar este artigo:
MARQUES, Luiz Guilherme. Os Barões de Cotegipe e as Princesas Isabel de Hoje. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2010. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/sociedade/os-baroes-de-cotegipe-e-as-princesas-isabel-de-hoje/ Acesso em: 07 jul. 2026