Política

Reflexão Sobre Bons Candidatos e Voto em Branco

 

A formação dos homens e mulheres ocidentais é tão voltada para os próprios interesses que a gente se espanta quando ouve falar de uma Pedagogia que inclui a prestação de serviços à comunidade como trabalho curricular (claro que sem provas e notas) desde o primeiro até o último ano da formação escolar.

 

Essa é a Pedagogia de SATHYA SAI BABA, idealizada e aplicada sobretudo na Índia, onde criaram-se centenas de escolas e algumas universidades que adotam essa Pedagogia. De lá alastrou-se por vários países, inclusive o Brasil.

 

Qual a grande vantagem dessa Pedagogia? Não será um desvirtuamento da atividade escolar? – A vantagem é justamente a de “habituar” o ser humano, desde a infância, a servir à coletividade.

 

Ao invés dos homens e mulheres voltados apenas para seus próprios interesses, que visam apenas seu próprios crescimento profissional e mais prestígio e dinheiro para si, temos pessoas que se acostumaram a trabalhar, desde a infância, em benefício da coletividade onde vivem (além, é claro, de visaram seu crescimento profissional etc. etc.).

 

Pessoas que chegaram à fase adulta exercitando atividades “solidárias”, não têm dificuldade alguma de continuarem a agir dessa forma pelo resto da vida. Serão excelentes cidadãos, sobretudo porque enxergarão não só seus direitos, mas também seus deveres…

 

Todavia, aquelas pessoas que passaram a infância, juventude e ingressaram na vida adulta voltadas apenas para si próprias terão muita dificuldade em começarem a pensar na coletividade e realizar em benefício dela…

 

Transplantando essa reflexão para a área política, verifica-se que nem todos os candidatos aos cargos eletivos habituaram-se, de longa data, à mentalidade de servir. Em certo momento de suas vidas, resolveram transmudar-se em “servidores do povo”. Muitos, que até há poucos dias, somente faziam tudo apenas para si, agora querem passar a imagem de idealistas, benfeitores das populações, amigos das causas públicas…

 

Essa “mudança” brusca tem pouca chance de tornar-se definitiva. Muitas vezes é mero “fogo de palha” ou mesmo interesse em arranjar um emprego público ou mesmo a intenção de enriquecer à custa do erário público.

 

Muitos de nós fomos condicionados a pensar apenas em nós próprios, nossa família e nossos amigos, que achamos “loucura” alguém preocupar-se realmente em servir à coletividade…

 

Infelizmente, essa é a mentalidade majoritária.

 

Todavia, voltando novamente à Política, perguntamos: – A maioria dos candidatos está habituada a prestar serviços à comunidade? Vem fazendo isso de longa data? Faltando alguns meses para as eleições, começou a apresentar um idealismo que nunca praticou?

 

Lançam-se propagandas que visam empolgar os eleitores como se eleição fosse mera partida de futebol. Os eleitores são levados a vibrar num clima de competição: se seu candidato é eleito, você se sente realizado como quando seu time ganha. Essa vitória faz você considerar-se inteligente (pois soube escolher o candidato vencedor).

 

A propaganda visa convencer os eleitores a optarem pelo “voto útil”, ou seja, se você quer se sentir “vitorioso” vota no candidato que tem mais chances de ganhar.

 

Os candidatos mais ricos e mais bem assessorados investem alto em propaganda. Eles utilizam uma série de artifícios de “marketing”. Um bom “marqueteiro” consegue eleger até candidatos que poucas chances teriam pelos meios comuns…

 

Há muita gente que vota apenas mitivada pelo parentesco ou amizade pessoal, sem se preocupar com a qualidade do candidato. São votos “de favor”. Pretendem eleger seus parentes e amigos, sem pensarem se aquelas pessoas realizarão ou não um mandato útil para a coletividade.

 

Em resumo, há muitos desvirtuamentos e alguma falta de seriedade em muitas escolhas.

 

Muitos eleitores acham até aceitável que quem se eleja o faça visando um emprego público para sua sobrevivência por alguns anos.

 

Pensar no bem comum como a coisa mais importante que se deve almejar na escolha de candidatos é essencial para a gente escolher bons candidatos.

 

Esses bons candidatos nem sempre são os mais intelectualizados, mas são, sim, os que mais se doam em favor do bem-estar da coletividade. A escolaridade ajuda, mas não é o elemento mais importante, pois há muitos intelectuais altamente egoístas.

 

Não se deve votar em candidatos em troca de emprego, dinheiro ou levando em conta parentesco ou amizade. Devem-se escolher, sim, aqueles que irão melhor administrar os bens públicos e trabalhar pela melhoria das condições de vida da população.

 

Se não se achar, na lista de candidatos, nenhum que preencha esses requisitos, é preferível votar-se em branco.

 

 

* Luiz Guilherme Marques, Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Juiz de Fora (MG).

Como citar e referenciar este artigo:
MARQUES, Luiz Guilherme. Reflexão Sobre Bons Candidatos e Voto em Branco. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2009. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/politica/reflexao-sobre-bons-candidatos-e-voto-em-branco/ Acesso em: 21 mar. 2026