O que os três políticos
têm em comum é que todos são de esquerda, mas há matizes entre as posições .
Marina é da esquerda ecológica composta de admiradores de Al Gore, aquele que
alguns americanos do Tea Party (Festa
do Chá) chamam de Al Bore (Chato),
recentemente desmentido por importante cientista britânico.
Quanto às ideias
politicoeconômicas da candidata do PV, nada sabemos. Suspeitamos que ela seja
da esquerda melancia: verde por fora, mas vermelha por dentro.
Serra é da esquerda vegetariana (light), um
social-democrata, segundo Roberto Campos: “um comunista envergonhado” após a
queda do muro de Berlim em 1989 e a dissolução do Império do Mal em 1991 (a União
Soviética, segundo Ronald Reagan).
Dilma, é da esquerda carnívora (heavy). Como declarou em recente entrevista Hugo Chávez, seu grande
admirador: ela é “da linha dura”. Com os nomes de guerra Estella, Vilma,Wanda,
usw. participou do bando de Marighela, praticando atentados terroristas,
assaltos a bancos e a residências ricas und
so weiter…
Contrariamente a Gabeira
e outros guerrilheiros, ela nunca se arrependeu de seu passado e mente dizendo
que lutava contra a ditadura militar e a favor da democracia, quando, na
verdade, era a favor de uma ditadura de esquerda inspirada na de Cuba de El Coma Andante, hoje Museu Ocidental do
Comunismo (o Oriental é a Coréia do Norte de Kim-Jong-Il).
Tanto Serra como Marina
têm uma origem humilde. O primeiro é filho de um vendedor de frutas no mercado,
a segunda era uma seringueira no Acre. Tanto Serra como Marina se esforçaram
trabalhando para melhorar de vida. Marina estudou e se formou em História,
Serra também estudou e se formou em Engenharia, posteriormente em Economia
fazendo graduação no Chile e pós-graduação nos Estados Unidos.
Contrariamente a ambos,
Dilma nasceu em uma família rica de Belo Horizonte e, após a derrota da
guerrilha urbana, fez graduação em Economia, mas não concluiu a pós-graduação
nem ostenta o título de Doutora em Economia, como colocou em seu curriculum vitae na Internet. Foi
desmentida , assim como seu companheiro de partido Aloysio Mercadante, pela
Unicamp e pelo CNPq.
Tanto Serra como Marina
têm o grande mérito de ter melhorado de vida graças ao seu empenho e seu
estudo, diferentemente de Lula que também teve uma origem humilde, mas melhorou
de vida graças à organização de greves no ABC e vociferação de chavões
esquerdistas nas portas das fábricas. Assim começou sua carreira de demagogo…
Quando surgiu a
oportunidade de estudar, não faz como seu companheiro Vicentinho que se formou
em Direito, preferiu ser sustentado pelo partido e por um empresário paulista
que lhe emprestou um apartamento. E o que é pior: orgulha-se de ser um apedeuta
bem sucedido e despreza tanto a educação como o conhecimento.
Tanto Serra como Dilma,
diferentemente de Marina, lutaram contra a ditadura militar. Dilma angariou uma
longa ficha no DOPS por atos de subversão armada, Serra foi presidente da UNE e
acabou exilado no Chile de Allende, mas nunca participou da luta armada:
limitou-se a fazer protestos contra o regime, exercendo, assim, seu direito de
expressão.
As idéias políticas de
Dilma são parcialmente conhecidas, as de Serra são amplamente conhecidas. Ele
já as pôs em prática como prefeito e governador de São Paulo onde fez governos
razoáveis de um ponto de vista administrativo. Além disso, foi um bom ministro
da saúde no governo de FHC.
Algumas das ideias de
Dilma são conhecidas, outras não passam de justificadas suspeições. Como
burocrata no Rio Grande do Sul, aliada de Brizola e Alceu Colares, sua ficha
conta com uma exoneração de um dos cargos exercidos por falta de assiduidade ao
trabalho.
Como ministra do governo
Lula, foi “a mãe do PAC” (Plano para Alavancar a Companheira) e quando menos de
20% das obras do PAC estavam concluídas, veio o PAC2 e a inauguração de obras
em andamento com muitos discursos de Lula – coisa que resultou em 6 multas do
STF por fazer campanha ilegal. Trata-se, portanto, de mera propaganda política
aliada ao escárneo do direito eleitoral.
Como herança de sua
administração na Casa Civil deixou Erenice Guerra, suspeita de nepotismo,
tráfico de influência, prevaricação e sabe-se lá o que mais. Ela era o braço
direito de Dilma e esta alega que o esquerdo não sabia o que o direito estava
fazendo. M’engana q’eu gosto!, só para usar o bem carioquês.
Marina entrou com sua
candidatura sabendo que não tinha a mínima probabilidade de vencer a eleição.
Serra entrou com a sua tendo alguma probabilidade de vencer. Dilma entrou com a
sua tendo certeza da vitória no primeiro turno, graças ao grande prestígio de
seu cabo eleitoral: Lula.
Marina não foi para o
segundo turno, como, aliás, já era esperado desde o momento em que se
candidatou, mas teve 19% dos votos, como não era de nenhum modo esperado. Na
realidade, ela foi a responsável pela ocorrência do segundo turno, sendo
abençoada por Serra e amaldiçoada por Lula e sua marionete: Dilma. Tamanha foi
a decepção de Lula que ele se escondeu e ninguém o viu nem ouviu no day after das eleições.
Agora Marina passou a
ser possuidora de um desejável cacife político e já foi procurada por Dilma
disposta a negociar um apoio. Serra também irá procurá-la, se tiver bom senso,
pois não se desdenha cerca de 20% de eleitores, ainda mais quando se trata de
uma candidata também de oposição ao PT.
Que fará Marina? Apoiará
um dos candidatos ou manterá uma postura neutra, uma vez que se tornou,
juntamente com Aécio Neves, séria presidenciável em 2014?! Marina disse que
primeiro ouvirá seu partido e depois tomará uma decisão. Resta ainda ver se ela,
tal como Lula, possui esta misteriosa capacidade que é o poder de transferência
de votos.
A vitória de Dilma no
segundo turno tem grande probabilidade, haja vista a grande diferença de votos
em relação a Serra cuja curva de crescimento tem se mostrado anêmica. Mas se a
maioria dos eleitores de Marina, independentemente de sua pessoa, despejarem
votos em Serra, a campanha será certamente acirrada e sua probabilidade de
vitória crescerá muito.
* Doutor em Filosofia pela UFRJ.
Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ. Ex-Pesquisador do CNPq.
Ex-Membro do ILTC [Instituto de Lógica, Filosofia e Teoria da Ciência], da SBEC
[Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos]. Membro Fundador da Sociedade
Brasileira de Análise Filosófica. Autor de Problemas de Filosofia da Linguagem (EDUFF,
Niterói, 1985); O Dizível e O Indizível (Papirus, Campinas, 1989); Ética Mínima
Para Homens Práticos (Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1995). O Problema da
Ficção na Filosofia Analítica (Editora UEL, Londrina, 1999). Ceticismo ou Senso
Comum? (EDIPUCRS, Porto Alegre, 1999). Deus Existe? Uma Investigação
Filosófica. (Editora UEL, Londrina, 2000) . Liberdade ou Igualdade? ( EDIPUCRS,
Porto Alegre, 2002). Co-autor de Significado, Verdade e Ação (EDUF, Niterói,
1985); Paradigmas Filosóficos da Atualidade (Papirus, Campinas, 1989); O Século
XX: O Nascimento da Ciência Contemporânea (Ed. CLE-UNICAMP, 1994); Saber,
Verdade e Impasse (Nau, Rio de Janeiro, 1995; A Filosofia Analítica no Brasil
(Papirus, 1995); Pré-Socráticos: A Invenção da Filosofia (Papirus, 2000) Já
apresentou 71 comunicações em encontros acadêmicos e publicou 46 artigos.
Atualmente tem escrito regularmente artigos para
www.parlata.com.br,www.rplib.com.br , www.avozdocidadao.com.br e para
www.cieep.org.br , do qual é membro do conselho editorial.
