A Comissão Especial para Acompanhar a Situação da UERGS, presidida pelo deputado Catarina Paladini (PSB), promoveu, na tarde dessa segunda-feira (9), a décima e última de uma série de audiências públicas realizadas nos últimos dois meses para discutir com a comunidade acadêmica a realidade da instituição. O debate ocorreu no Espaço de Convergência Deputado Adão Pretto, na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre. Além do presidente do grupo técnico, participaram da discussão os deputados Jeferson Fernandes (PT), Raul Pont (PT) e Cassiá Carpes (PTB), o reitor da instituição, Fernando Guaragna Martins, professores e alunos.
Catarina destacou que, ao longo dos trabalhos, a comissão ouviu os anseios e questionamentos da comunidade acadêmica, os quais deverão constar no relatório final do grupo técnico. Conforme o relator, deputado Cassiá Carpes, o material deverá ser concluído até o dia 18.
O reitor da universidade abriu sua manifestação declarando o desejo de que a comissão contribua para o fortalecimento da universidade estadual. Segundo Guaragna, embora o ensino superior estadual não seja valorizado no Rio Grande do Sul, no restante do país a realidade é outra. Disse que as universidades estaduais no Brasil são responsáveis por 600 mil vagas de graduação e 120 mil vagas de pós-graduação, além de contribuírem para a interiorização do ensino universitário, uma vez que as universidades federais tendem a se concentrar nas grandes cidades. Disse também que 50% da produção científica do país cabe ao sistema estadual.
Segundo Guaragna, enquanto o Paraná investe R$ 1,3 bilhão por ano em seis universidades, o Rio Grande do Sul destina um orçamento anual de apenas R$ 33 milhões (0,1% do Orçamento do Estado) para a UERGS. “É um orçamento muito pequeno”, declarou. “Com R$ 33 milhões, não existe universidade, é impossível ter uma estrutura adequada”.
O diretor da UERGS na Região I (que abrange Porto Alegre, Guaíba, Novo Hamburgo e Cidreira), João Alifantes, mencionou aspectos positivos e negativos da instituição. Entre os positivos, citou determinados cursos, segundo ele, pioneiros, como os de Administração com foco em gestão pública e em saúde, o de Tecnologia da Informação, em Guaíba, e o de Tecnólogo em Automação Industrial, em Novo Hamburgo. Entre os aspectos negativos, reiterou a ausência de investimentos e os consequentes problemas de infraestrutura. Disse que é preciso investir em pós-graduação para aprimorar os cursos de graduação.
A bibliotecária Simone Semensatto, representando a Associação dos Servidores Técnicos e de Apoio Administrativo (Assuergs), apontou a falta de funcionários e de livros. Na sua avaliação, a universidade teria que chamar um número de servidores maior do que o das vagas previstas.
Representando os alunos da Região I, Marcos Pesce Pinto criticou as possibilidades de municipalização ou privatização de unidades da UERGS. O vereador de Cidreira Matheus Junges, acompanhado de outros representantes do município, criticou a transferência da unidade de Cidreira para Osório e relatou o esforço da comunidade em mantê-la no local. O reitor da UERGS afirmou, no entanto, que não há número suficiente de alunos no município e que a decisão foi tomada pelo Conselho Superior da universidade, integrado por representantes de todas as regiões do Estado.
O deputado Raul Pont citou iniciativas dos parlamentares em defesa da universidade estadual e lamentou o baixo orçamento destinado a ela, observando, porém, ter havido um aumento nos investimentos do último ano. Disse que a universidade precisa estar sintonizada com as necessidades do Estado. Jeferson Fernandes registrou as distorções que ocorrem no uso da verba pública ao comparar o montante destinado ao pagamento de auxílio-moradia a magistrados (R$ 750 milhões) àquele destinado à UERGS (R$ 33 milhões).
Audiências realizadas
A comissão realizou dez audiências públicas nos meses de março e abril. Os deputados estiveram nos municípios de Caxias do Sul, Cruz Alta, Santa Cruz do Sul, Santana do Livramento, São Luiz Gonzaga, Tapes e Porto Alegre, nos quais a universidade possui unidades, e também em Soledade, Rosário do Sul e Canguçu.
Fonte: AL/RS
