Uma comerciante conseguiu, na primeira instância da Justiça Federal, a condenação solidária de seu ex-contador e da Caixa Econômica Federal (CEF) à indenização por danos morais no valor de R$ 45.684,46. O motivo foi a falsificação de sua assinatura em contrato de renegociação de dívida na qual figurou como avalista.
Inconformados, a CEF e o contador apelaram ao TRF/ 1.ª Região. A Caixa afirmou não proceder a acusação feita pelo ex-contador de que o gerente da caixa havia autorizado o preenchimento do referido contrato fora do estabelecimento bancário e sem conhecimento da firma. Afirmou que o gerente adotou todas as cautelas necessárias à consecução do negócio jurídico, inexistindo norma que obrigue a autenticação, em cartório, da assinatura lançada nos contratos bancários. A instituição financeira alegou no processo que o contrato foi assinado nas dependências de uma de suas agências, perante o gerente de negócios, pelo contador e por ?alguém que se fez passar? pela comerciante. Nos autos, a CEF diz que chegou a essa conclusão devido ao fato de a perícia grafotécnica confirmar a falsidade da assinatura que consta no contrato.
Já o contador assegurou que não existe prova de que ele tenha participado da fraude na assinatura.
O desembargador federal Daniel Paes Ribeiro, relator do processo no TRF/ 1.ª Região, votou pela manutenção da sentença na íntegra. De acordo com a sentença, houve descuidos da Caixa, o que ficou evidenciado, pois ?incumbe à CEF ? na qualidade de credora e parte mais forte da relação, se compararmos com o devedor ? zelar para que constem assinaturas verdadeiras em seus contratos?. Segundo o juiz sentenciante, ?a negligência da CEF foi tamanha, que esta afirmou (…) que a assinatura do contrato ocorreu na presença do gerente (…) é claro que isso não correspondeu à realidade, pois foi comprovado mediante perícia judicial que a assinatura da autora constante do contrato é falsa?.
Para a decisão, ficou evidenciado o lapso da CEF, de não conferir a veracidade das assinaturas, o que causou prejuízos à autora, pois o devedor (o contador) não honrou a dívida, e a CEF voltou-se contra avalista cuja assinatura constante no contrato era falsa, causando-lhe chateação, sobretudo porque era comerciante e teve seu nome ?manchado? na praça, por ter sido inscrita indevidamente no Serasa. Entendeu o magistrado ser patente o dever do ex-contador também de indenizar, porque participou da falsificação da assinatura da autora.
Seguindo o voto do relator, a Sexta Turma do Tribunal, por unanimidade, negou provimento às apelações da CEF e do contador.
Apelação Cível 2002.38.01.005211-9/MG
Tribunal Regional Federal da 1ª Região
Assessoria de Comunicação Social
Fonte: TRF1
