Sociedade

Os Operadores do Direito Devem ser Reflexivos

 

Há operadores do Direito que entendem que devem preocupar-se apenas em aplicar o Direito, sem analisar seu resultado na vida das pessoas.

 

Isso traduz rigidez de pensamento, reducionismo condenável, verdadeira descrença do universalismo tendencial de todas as pessoas.

 

Devemos sempre refletir sobre a utilidade da nossa atuação, até para podermos aperfeiçoá-la e não agirmos como verdadeiros computadores ou robôs.

 

Nossa atuação visa a pacificação dos conflitos interpessoais. Por isso, temos de conhecer o mais amplamente possível a Psicologia, a Sociologia, a Religião, a Filosofia etc.

 

Nossa época – como todas as demais – convive com pessoas dotadas de grande compreensão humana, que muito colaboram para a paz nas relações sociais através da pacificação interior das pessoas individualmente.

 

Uma dessas pessoas ficou internacionalmente conhecida como AMMA, cuja entrevista luminosa encontramos no endereço http://novaconsciencia.multiply.com/journal?&page_start=20%20-%20140k e que transcrevemos abaixo:

 

      – De que o mundo mais precisa?

 

      Amor e compaixão. A alma precisa tanto de amor quanto o corpo precisa de comida para crescer. O amor, por exemplo, pode chegar a nutrir muito mais um bebê do que o próprio leite. O que acontece hoje no mundo é que as pessoas passam muito mais tempo tensas do que em estado de felicidade. E deveria ser exatamente o inverso. As pessoas trabalham demais para acumular riquezas, carros, jóias, luxo e acessórios como ar-condicionado em suas casas. Ao mesmo tempo, elas não conseguem sequer dormir em paz, precisam de remédios. Elas não entendem que nada dessas coisas materiais traz felicidade porque, se trouxesse, elas seriam felizes. Mas não são. Tudo depende da nossa mente, do quanto nossa mente está em paz. A espiritualidade é o ar-condicionado da mente.

 

      – Todos deveriam abraçar mais uns aos outros?

 

      Só abraçar não significa nada. O que conta é o amor que você sente e transmite com esse gesto. Ver e sentir vida em tudo isso é amor. Quando o amor preenche o coração, a pessoa vê a vida pulsar em tudo. Portanto, onde há vida, há amor e vice-versa. A vida e o amor não são dois, são um. Assim, o ato de abraçar deve estar impregnado de amor. Caso contrário, é como dar gelo a quem tem sede: não adianta nada. É importante lembrar que, quando falo em amor, falo no sentimento sem restrições. Inclusive por aquelas pessoas que não conhecemos. O amor não aparece apenas pelo nosso filho, nossa família, nosso cônjuge. Ele deve ser igual para todos, incluindo até desconhecidos. Quando eu abraço, sinto que cada um é meu filho [Amma chama todas as pessoas de “Filho”]. O amor real é vivido quando não existem condições. O amor real é o único remédio que pode curar as feridas do mundo. Neste Universo, é o amor que une todas as coisas. Quando essa consciência despertar dentro de nós, toda a desarmonia terminará e reinará a paz duradoura.

 

      – É a primeira vez que a senhora vem à América Latina. Qual sua impressão deste povo?

 

      Sinto que são pessoas que têm coração de criança. Percebo que existe muito amor dentro delas, mas que têm alguma dificuldade de se abrir. Veja, isso não é ruim. Ninguém é ruim. Se olharmos apenas o lado bom dos outros, eles realmente se tornarão bons. Até mesmo um relógio quebrado pode ser bom, uma vez que ele mostra a hora certa duas vezes ao dia [risos]. O que quero dizer é que mesmo as pessoas que parecem ser ruins têm qualidades. O importante é aceitar a todos independentemente de suas expectativas. É o que estou fazendo aqui e agora. Por exemplo, ao ver uma flor, um cientista vai querer estudar suas propriedades. Um poeta vai querer fazer uma poesia. Um religioso vai querer oferecê-la a Deus. Ou seja, diante de um mesmo fato há inúmeras expectativas. Como aqui: imagino que cada uma dessas pessoas tenha uma expectativa diante de mim. Mas não me importa. Estou aqui para atender cada um, independentemente do que esperam de mim.

 

 

* Luiz Guilherme Marques, Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Juiz de Fora (MG).

Como citar e referenciar este artigo:
MARQUES, Luiz Guilherme. Os Operadores do Direito Devem ser Reflexivos. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2009. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/sociedade/os-operadores-do-direito-devem-ser-reflexivos/ Acesso em: 05 jul. 2026