No incidente vivido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo quanto às listas para escolha de advogados do quinto constitucional, entendi como fato realmente notável, digno dos maiores elogios, a atitude da advogada TANIA LIS TIZZONI NOGUEIRA, que renunciou à sua candidatura, afirmando que assim procedeu por estar muito satisfeita com sua profissão de advogada.
Pode-se entender que se trata de profissional vocacionada, que está exercendo a advocacia por opção e não simplesmente enquanto não surge outra opção aparentemente mais conveniente.
A propósito cabe rememorar postura semelhante, adotada por alguns membros do Ministério Público mineiro há uns anos atrás, os quais sequer admitiram a idéia de se inscrever para uma vaga no extinto Tribunal de Alçada.
Lembro-me do nome de alguns desses eminentes procuradores de justiça, pessoas da maior qualidade profissional e pessoal: DÉLIO OSÓRIO DE PAULA, LUIZ TERRA e WALDIR VIEIRA.
Enquanto esses operadores do Direito manifestam-se pública e firmemente no sentido de continuarem trabalhando na área que escolheram e vêm ocupando com galhardia e proficiência, outros ficam aguardando vagas em Tribunais, para deixarem carreiras brilhantes na advocacia ou no Ministério Público, passando a ser desembargadores ou ministros de Tribunais Superiores.
Com isso, o número de vagas na 2ª, 3ª e 4ª instâncias fica reduzido de 20% para os juízes de carreira, ou seja, aqueles que fizeram sua opção desde o começo pela magistratura.
Já é tempo de empenharmo-nos pela mudança constitucional, colocando as coisas no seu devido lugar, para que nossa carreira seja valorizada como merece e possamos chegar aos Tribunais.
Também é de se considerar que o ingresso nos Tribunais pelo quinto constitucional, pelo fato de terem sido escolhidas pelos chefes dos Executivos estadual e federal, representa interferência de mérito questionável dentro da estrutura do Judiciário, com resultados muito mais questionáveis…
O Conselho Nacional de Justiça (por sua composição mista) já representa uma forma de trazer para dentro da estrutura judiciária bastante pessoas dos mais variados segmentos da sociedade para contribuírem para o aperfeiçoamento da nossa instituição.
Basta essa contribuição para o Judiciário oxigenar-se…
Devemos, enquanto isso, enaltecer a atitude idealista daqueles que se mantêm fiéis às suas respectivas profissões, espelhando-se em exemplos nobilíssimos como os de SOBRAL PINTO, RUI BARBOSA, ROBERTO LYRA e muitos outros.
* Luiz Guilherme Marques, Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Juiz de Fora (MG).
