A Internet é uma das mais importantes criações do século XX, sem sombra de dúvidas. Através dela as pessoas podem manter contato entre si estando em qualquer ponto do globo.
Outra vantagem existe no que se refere a pesquisas sobre qualquer assunto. Basta acessarmos essa biblioteca mundial para encontrarmos pelo menos alguma referência sobre o que nos interessa.
Porém, deve-se consignar que as duas grandes molas da Internet são a religião e a pornografia. São os dois extremos que o ser humano pode alcançar, o primeiro na sua procura pela sublimação, transformando-se no melhor que pode ser, e o segundo quando desacredita de si mesmo e se conforma em viver mecanicamente…
Tanto como meio de comunicação entre pessoas quanto como fonte de consulta nos milhões ou bilhões de banco de dados, a religião e a pornografia circulam na Internet com a mais absoluta liberdade. Não há censura, a não ser excepcionalmente.
Graças a essa liberdade quase absoluta, pessoas utilizam, por exemplo, os canais do MSN e do Orkut para veicular verdadeiros atentados à moralidade.
E, o que é pior, o número de crianças que participa desse festival de inconveniências é talvez maior do que o de adultos… O número de jovens nem se diga…
É de se perguntar: – Onde pais e mães aparecem nessa história?
Sei de uma menina de 10 anos que conhece muitos sites pornográficos, visitava-os e os recomendava às colegas de sua idade. Sua história: os pais são separados, ela mora com a mãe e só vê o pai uma vez por semana. Tanto o pai quanto a mãe estão mais preocupados com os amigos dos barzinhos do que com o que acontece com a filha. Percebe-se uma carência afetiva muito acentuada ao lado de falta de bons exemplos e de orientação.
Conheço outras crianças que utilizam a Internet para veicular ofensas contra quem lhes passe pela frente. Há, nesse número, vários casos de vítimas da desarmonia dos pais, de problemas de alcoolismo e de uso de drogas. Agridem como forma de manifestarem revolta pelos problemas que vivem dentro de casa. Algumas chegam a confessar seus dramas.
É possível imaginar-se crianças e jovens desajustados por culpa deles próprios? Infelizmente há casos graves de desajustes das próprias crianças ou jovens, impermeáveis a todo o esforço dos pais. Mas, geralmente, seus desacertos refletem os desajustes ou o descaso paterno e/ou materno.
A neurotização das crianças e jovens gera depressão ou agressividade. Em qualquer dos dois casos os resultados são danosos para o futuro desses adultos de amanhã…
O número de crianças e jovens neurotizados aumenta devido a situações próprias do nosso tempo: desemprego, insegurança econômica, desacerto entre os pais, falta de solidariedade entre as pessoas, carência afetiva, exemplos de desonestidade etc.
Não adianta editarem-se leis e mais leis, discutirmos sutilezas jurídicas, sem cuidarmos das crianças e jovens, que, muitas vezes, são levados a desequilíbrios difíceis de serem resolvidos.
Se o instituto da família não for valorizado, se cada pai e cada mãe não fizerem o máximo por seus filhos e filhas, teremos mais casos de drogadição, alcoolismo e doenças mentais…
Crianças e jovens são inseguros e inexperientes. Mesmo que nada digam, pedem-nos, sem palavras, esclarecimentos e afeto. Nós é que temos o dever de orientá-los para que não feneçam suas esperanças. Não se deve relegar essas rosas frágeis ao abandono sob pena de entregarmos ao futuro verdadeiras anomalias humanas…
* Luiz Guilherme Marques, Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Juiz de Fora (MG).
