Débora Bazeggio(*)Em menos de uma semana a AMB perdeu dois memoráveis ex-Presidentes. No último sábado (10), aos 89 anos, faleceu Francis Selwyn Davis, um Magistrado de trajetória solidária, ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e da Associação dos Magistrados Paulistas (Apamagis). Na manhã desta quinta-feira (15), Francisco de Paula Xavier Neto morreu aos 67 anos.Francis Davis se formou na Faculdade de Direito da USP. Conquistou o Master of Laws pela Universidade de Nova York, além da Presidência do maior Tribunal de Justiça do mundo, o de São Paulo. Ingressou na Magistratura em 1949, quando foi Juiz substituto em Ribeirão Preto. Em sua trajetória, teve passagens pela Vara Auxiliar de Menores de São Paulo, Vara Criminal da Comarca da Capital e Vara dos Feitos da Fazenda Nacional. Na AMB, presidiu a entidade no biênio 1984-1985 e na Apamagis foi Presidente por três mandatos.Além disso, foi professor de “Sociologia Educacional”, da Academia de Polícia de São Paulo e da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC). Em 1980, tomou posse como Desembargador do TJSP, e em 1993, foi eleito Presidente do Tribunal, cargo que assumiu no início do ano seguinte.O Presidente da AMB, Nelson Calandra, muito tem a dizer sobre Davis. “Em 100 dias ele fez o que muitos não fizeram em 10 anos, no TJSP. Trinta dias depois de ingressarmos na Presidência do Tribunal, onde tive a honra de chefiar o gabinete dele, os nossos servidores tiveram a sua dignidade salarial resgatada, algo inesquecível para toda a Magistratura e todos aqueles que viveram essa feliz experiência de conhecer Francis Davis. Extremamente altruísta, capaz de dividir qualquer coisa, com qualquer pessoa, procurando sempre amparar as pessoas”, afirmou. O atual Presidente da Apamagis, Roque Mesquita, apontou que, em sua vida, Davis encontrou na Magistratura um complemento da família, tornando-se um verdadeiro ícone para a Justiça. “Combinou como poucos: rigor com humildade, força com ternura e compreensão plena de igualdade entre os semelhantes. A fé inabalável nos Magistrados o tornou um verdadeiro irmão de todos, incluindo os servidores que guardam eternas lembranças de sua destemida Justiça. É com dor lancinante que nos despedimos, no último Dia dos Pais, do corpo de Francis Selwyn Davis, com o conforto de que a alma desse amigo viverá, todos os dias, em nossos corações”, disse.Já Francisco de Paula Xavier Neto é natural de União da Vitória (PR) e se formou pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Tornou-se Magistrado em 1969 e atuou nas comarcas de Alto Paraná, Pato Branco, Maringá e, a partir de 1977, em Curitiba. No ano de 1993, assumiu o cargo de Desembargador, foi eleito Presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar) por dois mandatos e em 1992 assumiu a presidência da AMB. Foi especialista em Direito Processual Civil pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e professor de Direito Penal e de Processo Civil. Em sua caminhada, houve inúmeras experiências internacionais, como o estágio na Alemanha sobre Organização Judiciária e Processo Civil. Com ele, o Presidente da AMB, Nelson Calandra, disputou a Vice-Presidência da União Internacional de Magistrados (UIM). “O papel dele na minha eleição foi relevantíssimo. Andamos por vários países do mundo pregando democracia, liberdade e justiça. Esse foi o grande lema e a nossa bandeira”, disse. Depois de 67 anos em uma brilhante trajetória, Xavierzinho, como era conhecido, partiu. “O Desembargador Francisco de Paula Xavier Neto foi um dos maiores expoentes da Magistratura brasileira, e também da Advocacia que ele levou de modo muito destacado. Ele é uma pessoa queridíssima, eu estive um bom trecho dos meus 68 anos caminhando sempre ao lado do Francisco Xavier, meu amigo de todas as horas. Para mim, é despedida de uma pessoa muito querida, e para o povo brasileiro, perda inestimável. Uma inteligência e espírito patriótico invulgar. Filho de um Magistrado que adotou 14 filhos, acolheu e encaminhou 14 pessoas. Vários exemplos de vida que nós ficamos cada vez mais tocados quando nos despedimos de Francisco de Paula Xavier”, lamentou Calandra. Fernando Ganem, Presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), manifestou seus sentimentos sobre o falecimento de Francisco Xavier. “Cumpre-nos externar nossa imensa tristeza em face do acontecido, haja vista a grandiosidade desse homem, cuja vida foi marcada pela honradez e coragem dos seus atos, tanto e sempre relembrados pelos seus contemporâneos”, declarou.O Presidente da Associação dos Magistrados Paulistas (Apamagis), Roque Mesquita, comenta com pesar a perda do Magistrado. “Era muito mais que um amigo, foi um grande Presidente da Associação Nacional que soube dar exemplos de como ser Juiz e tratar o ser humano. Fica a saudade e a tristeza pelo falecimento do grande amigo”, disse Roque Mesquita. As duas perdas serão, certamente, irreparáveis. “Francis Davis teve uma história escrita com a luz de Deus na vida de milhares de pessoas. Pelo trabalho excepcional que fez como Presidente do TJSP. Francisco Xavier, outro brasileiro invulgar, por sua coragem, seu descortino, sua visão associativa. Deixaram, sem dúvida, marca indelével na história da magistratura e do associativismo: Francis Davis e Francisco de Paula Xavier Neto”, concluiu Calandra.(*) com informações do TJSP e TJPR
Fonte: AMB
