Acompanhando o noticiário dos últimos dias, assusta-nos o número de crimes ditos passionais. Foram nove casos apenas nas duas primeiras semanas de junho. Algumas correntes da psicologia explicam que a paixão gera um descontrole, uma desorientação das faculdades mentais que pode causar vários problemas ao amante (enquanto ser que ama) e, em muitos casos, ao ser que é amado.
Para muitos, o fim de uma relação significa o fim da razão de existir. É tamanho o transtorno que, não poucas vezes, o que comete um homicídio motivado pela passionalidade acaba suicidando-se. Não se trata pura e simplesmente de um sentimento de posse. Se assim fosse, tirar a vida do ser que era o alvo do sentimento, bastaria. Mas não. O agressor tira a própria vida.
Não se pode desconsiderar, contudo, o percentual de um machismo quase que naturalizado que possa estar por detrás dessa passionalidade irracional, presente na deflagração desse tipo de relação. Ele pode advir, numa visão macro, de questões culturais e até ideológicas. O sentimento de posse traz consigo outros condicionantes sociais e patológicos.
Infelizmente, a paixão tem virado crime. Isso denuncia toda a sociedade riograndense. Uma reação amorosa precisa urgentemente emergir no combate dessa doença cultural. Já há vários movimentos na linha de coibir e punir aqueles que usurpam do sentido singelo do amor e da paixão.
Por sorte, a maioria absoluta dos que se apaixonam, conseguem tratar com respeito e dignidade o ser amado, mesmo que haja constatação de que não é mais possível trilharem juntos o mesmo caminho. Uma história vivida a dois, quando chega ao fim, permanece na mente e no coração dos que a viveram, além de abrir novas perspectivas de busca da felicidade para ambos, por estradas distintas.
“As coisas se transformam. E isto não é bom nem mau”, escreve Osvaldo Montenegro. Também em forma de poesia, uma das melhores intérpretes da música popular brasileira, Alcione, eternizou os versos de Chico Roque e Sérgio Caetano, com o título de “Faz uma loucura por mim”.
Muitos apaixonados estão a fim de cometer uma loucura. O grande desafio é transformar esta loucura em um gesto que faça apenas o bem para a pessoa que se transformou no centro de suas atenções e, por consequência, o bem para si mesmo.
*Deputado estadual
Fonte: AL/RS
