No prédio histórico da Universidade Federal do Paraná, a aula é sobre Ministério Público. À frente do quadro negro, o procurador-geral de Justiça assume o papel do professor. Trata-se da aula inaugural do “Ministério Público Universitário”, curso de extensão da UFPR, promovido em parceria com o MP-PR, por meio do Movimento Paraná Sem Corrupção. Ao todo, serão 10 encontros em cinco semanas. No primeiro deles, realizado no dia 10 de junho, Gilberto Giacoia discorreu sobre o tema “Ministério Público Vocacional”.
Aos estudantes de Direito, o PGJ do Paraná explicou a origem do Ministério Público no Brasil, contextualizando a instituição nos diferentes momentos da história e da evolução social brasileira. Giacoia falou também sobre o perfil moderno, pós Constituição Cidadã, que delega ao Ministério Público a missão de “buscar incessantemente a construção de uma sociedade mais justa, honesta e gênerosa”, disse, complementando: “Não se trata apenas de opera o Direito nos efeitos, aplicando punições às ilegalidades, mas sim de atuar nas causas das mazelas humanas, a fim de promover a paz pela justiça social”, disse o procurador-geral de Justiça.
Giacoia também alertou os alunos acerca dos riscos que a PEC 37 representa às conquistas democráticas do Brasil.
“Se fala agora em vedar ao Ministério Público brasileiro o poder de investigar crimes, enquanto isso, as democracias modernas seguem a diretriz da ampliação da investigação, na perspectiva de que quanto mais apuração, melhor”, explicou, finalizando: “reduzir, cercear e vedar a investigação ao Ministério Público é reduzir, cercear e vedar o poder de investigar ao povo”.
Segunda aula – Em seguida, o promotor de Justiça e coordenador do Movimento Paraná Sem Corrupção Eduardo Cambi falou sobre a corrupção no Brasil e as conseqüências sociais desta prática, que não seria restrita aos gestores públicos, segundo ele, mas que teria sido culturalmente herdada pelos brasileiros desde o processo de colonização, e desde então, vem se tornado comum nos pequenos atos cotidianos da população.
Cambi mostrou números que demonstram os prejuízos que a corrupção causa no Brasil e convidou os estudantes a integrarem este Movimento positivo de enfrentamento à desonestidade e imoralidade.
“Cerca de 30 bilhões de reais são desviados no Brasil por atos corruptos. Para se ter uma ideia de quanto isso representa, o orçamento de Curitiba fica perto dos 6 bilhões. Diante desses números, nos cabe a reflexão do quanto deixa de ser investido em creches, escolas, urbanismo, unidades de saúde, enfim, na melhoria as condições de vida do povo brasileiro”, disse o promotor de Justiça.
“Não podemos compactuar com essa realidade. Temos o dever de combater a corrupção e vocês, jovens, têm um papel fundamental nesse processo”, finalizou, convidando os estudantes a participarem das audiências públicas que vêm sendo realizadas pelo Movimento Paraná Sem Corrupção em diversos bairros de Curitiba.
Próximo encontro – Nesta quarta-feira, 12 de junho, a subprocuradora-geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, Samia Saad Galotti Bonavides, abrirá o segundo dia de curso com o tema “Perfil Profissional Desejado para o promotor de Justiça do Ministério Público do Paraná”. Samia também é coordenadora do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF), setor do MP-PR que está apoiando o curso de extensão universitária na Universidade Federal.
Depois da procuradora de Justiça, será a vez do promotor de Justiça Odoné Serrano Júnior falar aos estudantes sobre “Gestão Democrática da Cidade”.
Veja a programação completa aqui.
Fotos da aula inaugural:
Assessoria de Comunicação
Ministério Público do Paraná
(41) 3250-4228 / 4439
Fonte: Site MP/PR
