MP/PR

Encontro Internacional termina com discussão sobre agrotóxicos

Representantes de municípios de todo o Estado, membros do Ministério Público Estadual e do Trabalho e interessados nas causas ambiental e de saúde estiveram reunidos nesta semana, em Encontro Internacional que trouxe especialistas e pesquisadores do Brasil, Argentina e Itália. Realizado nos dias 11 e 12 de junho, o evento, promovido pelo Ministério Público Estadual, Ministério Público do Trabalho e Secretaria de Estado do Trabalho e Economia Solidária, debateu o uso de agrotóxicos e do amianto e também soluções para o fomento à produção de alimentos orgânicos e à agroecologia.

O principal tema do primeiro dia foi o uso do amianto (Veja a matéria que trata da temática). O segundo dia tratou da questão dos agrotóxicos.

O médico neonatologista Medardo Ávila Vasquez, da Red de Pueblos Fumigados (Rede de Povos Pulverizados), da Argentina, apresentou dados de pesquisas sobre os efeitos dos agrotóxicos na saúde da população que mora no entorno de áreas pulverizadas na região de Córdoba. Na Argentina, 12 milhões de pessoas estão vivendo em áreas próximas a plantações de soja transgênica. Entre os diversos resultados que ligam problemas de saúde à exposição aos agrotóxicos está o aumento de abortos e de diagnósticos prenatais de malformações, além de problemas de desenvolvimento neurológico das crianças, associados à exposição a pesticidas nos períodos prenatais e na infância. Veja estudos. Vasquez também ressaltou dados registrados na província de Chaco, onde também percebeu-se, na maternidade local, o aumento de malformações ao longo dos anos, conforme aumentava-se o volume das plantações de soja transgênica pulverizadas. Em 1997, tinham sido registradas 46 malformações, contra 186 em 2008. Em relação aos abortos, enquanto a média nacional na Argentina é de 2 a 3%, nas regiões pulverizadas a média sobe para 20%.

O professor doutor Fernando Mañas Torres, do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Agronomia e Veterinária da Universidade Nacional de Rio Cuarto, na Argentina, apresentou pesquisas sobre a genotoxicidade dos agrotóxicos, ou seja, a possibilidade dos pesticidas causarem danos genéticos. Um dos estudos envolvendo populações de regiões pulverizadas de três localidades de Córdoba mostrou, em análise feita por meio de um método chamado “Ensaio Cometa”, que, em comparação com um grupo de referência que não estava próximo a plantações pulverizadas, havia 13 vezes mais ocorrência de danos genéticos. Segundo o professor, o câncer, por exemplo, está diretamente ligado ao dano genético. Se a contaminação se dá durante a gravidez, pode-se dar malformações.

Contaminação na cultura do fumo – Também foi apresentada no evento pesquisa do Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que avalia o comportamento das intoxicações crônicas por agrotóxicos na região de Rio Azul, a 180 quilômetros de Curitiba. A pesquisa teve início em 2010 e está na fase de elaboração do relatório final.

A partir do caso de uma fumicultora daquele município que chegou em Curitiba com sérios comprometimentos de saúde, neurológicos principalmente, buscando assistência no SUS, os pesquisadores focaram no estudo da vida de 41 pessoas que, entre 2000 e 2010, tiveram caso de intoxicação aguda registrado no sistema de saúde de Rio Azul. O objetivo era verificar as condições sociais e de trabalho e a condição de saúde daqueles indivíduos e de suas famílias.

A pesquisa envolveu levantamento de dados sociais e econômicos, avaliação clínica e laboratorial, além de análise ligada a distúrbios da comunicação, feitas por uma equipe de pós-graduação da Universidade Tuiuti, que avaliava a ototoxicidade dos agrotóxicos.

Os dados mostraram que 21 pessoas das 62 que passaram por todas as análises (34%) apresentavam intoxicação crônica (não mais aguda) e irreversível.
“Este conjunto de dados nos levou a relações que demonstram os efeitos dos agrotóxicos ao longo do tempo. Muitas dessas pessoas tinham tempo de exposição a esses produtos que iam de 15 a 20 anos. O número de pessoas com intoxicação crônica é considerado alto”, afirma Paulo de Oliveira Perna, enfermeiro sanitarista do Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva da Federal.

De acordo com a Abifumo, a maior parte da produção de fumo do país, cerca de 96%, se dá nos estados do Sul. Rio Azul, no Paraná, ocupa o ranking de décimo maior produtor de fumo do Brasil, segundo o IBGE. O país é o segundo maior produtor e o maior exportador de fumo do mundo, segundo o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco). De acordo com a Associação dos Fumicultores do Brasil, a produção anual de todos os tipos de folhas de fumo foi de aproximadamente 737 mil toneladas na safra 2011/12.

Foto do evento
Mesa sobre agrotóxicos, mediada pelo jornalista da Folha de S. Paulo, Mauro Zafalon

Foto do evento

Foto do evento
O médico neonatologista Medardo Ávila Vasquez, da Red de Pueblos Fumigados

Foto do evento

Foto do evento
O professor doutor Fernando Mañas Torres, do Depto. de Saúde Pública da
Faculdade de Agronomia e Veterinária da Universidade Nacional de Rio Cuarto, na Argentina

Foto do evento

Foto do evento
O promotor de Justiça Carlos Mateu, de Córdoba, Argentina

Conheça quem participou e qual foi e  da programação do Encontro Internacional.

Fonte: Site MP/PR

Como citar e referenciar este artigo:
NOTÍCIAS,. Encontro Internacional termina com discussão sobre agrotóxicos. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2013. Disponível em: https://investidura.com.br/noticias/mppr/encontro-internacional-termina-com-discussao-sobre-agrotoxicos/ Acesso em: 17 fev. 2026