Na quinta-feira (27) foi comemorado o Dia Nacional da Doação de Órgãos. Santa Catarina fechou o ano de 2011 com o maior índice de doadores efetivos por milhão de população (p.m.p), alcançando novamente a liderança entre os estados brasileiros e atingindo uma marca histórica no país, sendo o primeiro a ultrapassar os 25 doadores p.m.p. Os dados são do Registro Brasileiro de Transplantes, que é uma publicação da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos.
Só no ano passado, foram realizados 272 transplantes de rim em Santa Catarina, destaque nacional neste tipo de procedimento. Os bons resultados nos casos de transplante no estado devem-se à profissionalização do sistema de saúde, mobilização da sociedade e envolvimento dos profissionais.
De acordo com o médico Joel de Andrade, gerente da SC Transplantes, Santa Catarina é o estado que mais realiza transplantes de rim no país em função da mobilização da Secretaria de Saúde estadual. ?Nosso estado implantou o modelo espanhol de transplantes, considerado o melhor do mundo. Cada vez mais, a experiência das equipes, a organização do sistema e a educação dos profissionais, assim como o trabalho interdisciplinar, nos tornam referência no Brasil?.
Prevenção é o melhor remédio
Mesmo com todos os dados apontando uma evolução nos procedimentos de transplante e a sensibilização da população na doação de órgãos, o nefrologista Rodrigo Schmitz, membro da equipe de transplantes do Hospital Celso Ramos, alerta para a importância da prevenção. ?Estamos evoluindo no número de transplantes, mas sabemos que nem todo mundo pode ser doador, por isso é fundamental realizar exames pelo menos uma vez por ano e cuidar da saúde. Quando se precisa de um órgão é que se sente a necessidade de doar. É mais provável que se venha a precisar de um órgão do que se doe?.
Schmitz ressalta que um exame, como o de urina, pode ser feito pelo SUS, sem custo, e ajuda a prevenir ou tratar uma doença no início, sem chegar a uma situação de crise e necessidade de transplante, como o de rim.
Para Humberto Floriano Mendes, presidente da Associação de Pacientes Renais de Santa Catarina (APAR), que já recebeu por duas vezes doação de rim, é importante a instituição de um dia para alertar e informar a população sobre doação de órgãos, mas ainda mais importante é a prevenção. Ele, que já passou por sessões de hemodiálise, afirma o quanto esses procedimentos são sofridos. ?Quando comecei a perceber inchaço no rosto e pernas e a me sentir cansado, meus rins já estavam comprometidos. A solução para restabelecer minha qualidade de vida foi o transplante. Só assim consegui me inserir novamente na sociedade. Mas mesmo sendo tão importante a doação, é preciso lembrar, sempre, do quanto podemos evitar doenças através da prevenção?, alertou.
Pressão arterial alta e diabetes são fatores preocupantes e que devem ser tratados com cuidado, pois podem levar a muitas outras complicações na saúde. O aumento da expectativa de vida também precisa ser levado em consideração para que a velhice não traga problemas.
Dúvidas na hora de doar ou de receber um órgão
Segundo a enfermeira Clarice da Luz Koerich, membro da Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgão e Tecido para Transplante (CIHDOTT), o momento mais delicado é quando precisa conversar com familiares de um paciente que teve óbito sobre doação. ?Primeiro é preciso que a família entenda o que é morte encefálica e saiba que, mesmo com outros órgãos ainda funcionando com a ajuda de aparelhos, a morte encefálica é irreversível. Este é um momento muito delicado, de dor e a conversa precisa ser feita com muito cuidado?.
A enfermeira revela que, quando os pacientes já se declararam doadores em vida, nenhuma das famílias as quais ela conversou se mostrou contrária a decisão do doador. Joel de Andrade esclarece que se a morte encefálica deixar dúvidas para a família é preciso frisar que regras rígidas são estabelecidas para se chegar a esse diagnóstico. Ele ressalta, também, que a declaração de optar por ser doador em vida auxilia em muito a decisão da família e quem precisa de um órgão para continuar vivendo.
Tanto o médico quanto Clarice revelam que o benefício gerado a quem recebe o órgão estende-se aos familiares do doador. ?Muitas famílias afirmam que o único fato para abrandar a dor foi poder salvar a vida de alguém?, lembra Andrade.
Aos que buscam por um órgão, mas tem medo de submeter-se ao transplante, o nefrologista Rodrigo Scmitz afirma que a sobrevida de quem recebe um rim de um doador vivo é de 100%. ?Hoje as medicações são seguras, não têm tantos efeitos colaterais, os imunossupressores são adequados, o que não acontecia há algumas décadas?.
O programa Parlamento Debate, que vai ao ar na TVAL no sábado (29), às 20h30, trará mais informações sobre o tema. (Michelle Dias)
Fonte: AL/SC
