Cerca de 40 crianças e adolescentes entre seis e 17 anos, todos da Grande Florianópolis, considerados superdotados, participam, no contraturno escolar, de oficinas de produção textual, robótica, computação e artes na Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE), no bairro Floresta, em São José.
De acordo com Andréia R. Alves Panchiniak, coordenadora do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S SC), os alunos com inteligência acima da média precisam de suporte diferenciado para desenvolver o potencial criativo, caso contrário perdem o interesse em aprender, podendo inclusive abandonar a escola.
Panchiniak informou que os superdotados que não são estimulados adequadamente acabam sofrendo de assincronia, isto é, apresentam desenvolvimento intelectual, motor ou emocional desequilibrado. Para a coordenadora do NAAH/S, falta informação aos pais, que não reconhecem ou estimulam as habilidades dos filhos. Ela também criticou a escola e os professores, que ao invés de provocarem os alunos com inteligência privilegiada, optam por deixá-los caminhar sozinhos. ?É uma contradição, os alunos que têm desempenho excelente não são estimulados. O educador alega que eles não precisam de ajuda. Estão muito enganados?, informou.
A coordenadora do NAAH/S ainda disparou contra a universidade, que não tem espaço para superdotados desenvolverem suas habilidades. ?As universidades, que são os locais próprios dos especialistas, não estão abertas para os superdotados. Além disso, faltam iniciativas do poder público local, estadual e nacional?, declarou.
O papel da família
Segundo Maria das Graças Machado Moukarzel, pedagoga do NAAH/S, geralmente é a família que procura o auxílio da FCEE. ?Procuram-nos porque a criança tem problemas de relacionamento ou sofre discriminação na escola. Raramente acontece da escola encaminhar alguém?, lamentou.
Quem pode frequentar o NAAH/S
Para frequentar as oficinas do NAAH/S os estudantes passam por testes de inteligência, como o Columbia, Rave, Wais e Wisc III. Após os exames, são entrevistados por psicólogas e encaminhados para as pedagogas, que se aproximam do aluno para identificar suas áreas de interesse e definir os ?estilos de aprendizagem?.
As características dos superdotados
Desenvolvimento físico precoce
Linguagem adquirida mais cedo
Curiosidade intelectual
Aprendizagem rápida
Persistência e concentração
Interesses por áreas específicas
Gosto pelo desafio
Criatividade
Independência de pensamento
Inteligência acima da média
Os superdotados
Bárbara Cristina de Oliveira Jordão (14), aluna da 8ª série da escola Maria Luiza de Melo, no Kobrasol, em São José, foi selecionada por causa do desempenho na Olimpíada de Matemática. ?Recebi um bilhete da escola convidando para conhecer o NAAH/S?, contou Bárbara.
Apesar do alto desempenho em matemática, Bárbara se identificou com as artes plásticas. Em casa a menina desenhava miniaturas e no NAAH/S a aptidão levou-a a desenhar uma coleção de moda e a modelar objetos em cerâmica. ?Desde o primeiro dia percebi uma coordenação fina muito apurada. Ela tem prazer em aprender e fazer?, explicou a arte-educadora Vânia Franz. ?Meu sonho é ser arquiteta?, confessou Bárbara.
Bruno Bernardo (14), Lucas Pierre Cardoso (12) e Gustavo Pereira (14) têm atividades no laboratório de robótica. Montam robôs com peças de legos e pesquisam sobre possíveis fontes de energia. ?O que mais gosto no projeto é a interação com a prática?, explicou Lucas.
Já Patrick Rodrigues (15) e Lucas M. Girardi (14) estão sendo estimulados a produzirem textos. Patrick passa boa parte do tempo digitando o que escreveu no caderno em casa. Inspirado nos livros de aventura, como a série Percy Jackson, de Rick Riordan, o adolescente escreve um romance onde homens e deuses gregos vivem em permanente conflito. (Vitor Santos)
Fonte: AL/SC
