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Encontro discute saídas para aumentar oferta de gás natural


Próximo da sua capacidade máxima, sistema impede novos investimentos no RS

 

Com sistema de gás natural considerado frágil e perto de atingir sua capacidade máxima muito antes do prazo de revisão das regras de fornecimento do gasoduto Bolívia Brasil, previsto em contrato para 2019, o RS precisa encontrar com urgência uma alternativa para evitar o colapso no setor e amenizar os prejuízos na sua economia. “É mais uma situação que leva o estado a perder o bonde em termos de novos investimentos, comprometendo diretamente o emprego e a renda”, salientou o deputado Giovani Feltes (PMDB), durante audiência realizada na manhã desta quinta-feira (5), na Comissão de Serviços Públicos da Assembleia Legislativa, para discutir saídas diante da limitação da oferta de gás. Empresa estatal responsável pela distribuição do GNV, a Sulgás enfrenta dificuldades para atender os clientes atuais e a demanda do setor industrial.

 

A principal aposta do governo gaúcho é na construção de um terminal para transformar em gás natural o GNL (Gás Natural Liquefeito) no município de Rio Grande, para aproveitar a grande oferta do produto no mercado mundial. Titular do Departamento de Desenvolvimento da Produção da Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento,  Luiz Oscar Becker anunciou para os próximos dias a conclusão dos estudos sobre a viabilidade do projeto, que teria a participação da Petrobras e das empresas Hyundai e Samsung na sua implementação. ” A situação dos três estados do sul é limitada em termos do gás vindo da Bolívia”, acrescentou Becker.

 

O diretor-presidente da Sulgás, Roberto da Silva Tejadas, confirmou a limitação no fornecimento e a incapacidade de atender novos pedidos vindo particularmente do setor industrial. Até mesmo contratos de curto prazo estão ameaçados em razão da eventual necessidade de atender a usina elétrica Sepé Tiaraju, de Canoas. “Precisamos cancelar por duas semanas o atendimento destes clientes”, ilustrou Tejadas.

 

A Sulgás tem contratados 2,8 milhões de metros cúbicos por dia vindos da Bolívia, diante de uma demanda média que já se aproxima dos 2 milhões de m³/dia. Todavia, projetos que da empresa que estão programados até o final de 2013 comprometerão toda a capacidade atual, em especial com o fornecimento para a indústria de celulose em Guaíba, a ampliação do Polo Petroquímico de Triunfo e da Ambev, em Viamão. Tejadas mencionou ainda o projeto de levar o gasoduto para as regiões da Serra e Hortênsias para atender a rede hoteleira (calefação).

 

Falta de gás restringe crescimento do RS

 

Feltes propôs a realização de uma audiência com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para reforçar a urgência do tema em relação ao desenvolvimento do estado. Ele também pretende estabelecer para o segundo semestre uma estrutura permanente na Assembleia para abordar os gargalos da matriz energética do RS, que precisa importar energia do sistema nacional e vive a ameaça do baixo nível dos reservatórios em razão da estiagem. “Além de afugentar novos empreendimentos, a falta de maior oferta de energia retira competitividade dos nossos produtos”, lamenta o deputado.

 

Com repercussão direta no PIB gaúcho e na arrecadação do ICMS, segundo estudo da própria Sulgás, a precariedade no fornecimento do gás natural é preocupação antiga do setor industrial.  Para o diretor da Fiergs e coordenador do grupo temático de energia da entidade, Carlos Weinschenck de Farias, poderia representar um grande incremento no setor metal-mecânico se houvesse condições de bastecer, por exemplo, o polo da serra.”A situação é delicada e vem freando nosso crescimento.

 

Os estudos do grupo temático da Fiergs reforçam a ideia do terminal de gás líquido, uma vez que o custo de uma eventual duplicação do gasoduto Bolívia-Brasil é inviável, além do componente do dólar na definição dos preços. Desde o dia 1º deste mês, o gás natural está 14% mais caro para a indústria em consequência da variação da moeda americana.

 

Para o diretor Administrativo e Financeiro da Refap/Petrobras (Canoas), Vicente Rauber, o aumento na capacidade de distribuição de gás natural no RS é decisiva em termos técnicos e econômicos, “mas precisa de uma saída política”. Como maior consumidor de gás no estado, a Refap usa o produto para reduzir os poluentes na produção do óleo diesel. “Depois da energia elétrica, nossos pulmões e o meio ambiente agradecem o uso do gás natural”, destacou Rauber. Presente à audiência pública, o conselheiro da Agergs, Edmundo Fernandes da Silva, anunciou a decisão do órgão de passar a regular também o serviço de gás no estado.

Fonte: AL/RS

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NOTÍCIAS,. Encontro discute saídas para aumentar oferta de gás natural. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2012. Disponível em: https://investidura.com.br/noticias/alrs/encontro-discute-saidas-para-aumentar-oferta-de-gas-natural/ Acesso em: 28 out. 2026