A necessidade de uma política nacional de educação bilíngue para surdos e alguns pontos que podem viabilizar esta questão foram debatidos nesta quarta-feira (04) na Assembleia Legislativa, durante seminário proposto pela deputada estadual Ana Affonso (PT). Representados por entidades e escolas de diversos municípios, a comunidade surda entregou à parlamentar um documento que deverá ser repassado à Secretaria Estadual de Educação (Seduc) e ao governador. “Queremos que o Tarso faça um decreto que crie um grupo de trabalho para tratar do tema”, disse Ana, lembrado que este material não é final, mas contempla as principais necessidades atuais dos surdos na educação. “Mas, repito, são apenas as demandas iniciais, pois ainda temos um conjunto de ações a fazer e desafios a superar. A situação que temos hoje está longe de ser a ideal e o poder público precisa se posicionar”, reforçou.
O documento entregue pelos surdos aborda alguns pontos, como a necessidade de ter intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) em, pelo menos, todos os locais públicos; concurso para professores surdos para as escolas bilíngues; contemplar as famílias dos surdos nas políticas públicas; a importância do diagnóstico precoce; a preparação de professores, entre outros. A secretaria estadual de Educação, Mely Cimadevila, ressaltou que há cinco escolas especiais, além de classes especiais para surdos, e que o estado está aberto ao diálogo. “Estamos aqui para ouvir, discutir e levar estas ideias e demandas para a Seduc, a fim de discutirmos com a seriedade que merece”, garantiu.
Já entre a comunidade surda as ações da Secretaria foram criticadas e foi reforçada a necessidade de uma política de Estado permanente de educação, não políticas de governos. “São muitos anos de luta e poucos avanços. Tenho 40 anos, moro no meu apartamento, tenho meu carro, pago meus impostos e vejo as pessoas dizendo que com este dinheiro estão fazendo escolas. Mas e escolas para os surdos?”, questionou o diretor da Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos (Feneis) Francisco da Rocha, lembrando que hoje apenas 3% dos surdos concluem o Ensino Médio.
Também estavam presentes, entre outros, o Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Coepede); Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência e Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para PPDs e PPAHs no RS (Faders).
Fonte: AL/RS
