São Josémaria Escrivá, um educador
Ives Gandra da Silva Martins*
São Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei, cuja personalidade multifacetada tem sido estudada por historiadores e filósofos de todo o mundo, foi, antes de tudo, um esplêndido educador. Toda a vida de São Josemaría Escrivá esteve, de fato, dedicada a ensinar aos homens que é possível santificar a vida ordinária, transformando os deveres cotidianos em caminho de aperfeiçoamento pessoal e de aproximação de Deus. De maneira incisiva, em um dos pensamentos do seu livro Caminho, dizia que as atuais crises mundiais, na sua raiz, “são crises de santos”.
A mim, que sempre admirei toda a sua ação multidisciplinar e religiosa, um aspecto, na sua maneira de ser e daqueles que o seguiram, que mais impressiona é o de educador, ou seja, aquele de procurar elevar o nível educacional e cultural do mundo, num perfil ético e vocacional. Qualquer que seja a profissão, deve ser vista pela pessoa como uma vocação e deve ser exercida com ética e dedicação. Dizia mesmo que uma hora de estudo bem feito -ou de trabalho- era, para o cristão, uma hora de oração.
Neste sentido, inspirou a fundação de escolas em grande número de países, desde aquelas dedicadas ao treinamento de operários, domésticas, trabalhadores do campo e escolas de ensino fundamental e médio, até as Universidades de Navarra na Espanha e Piúra, no Peru.
A característica fundamental do fundador do Opus Dei neste campo do ensino – ele próprio doutor em direito pela Universidade de Madri – foi a de educar para os mais altos ideais da vida, e para servir a humanidade a partir do campo específico de cada cidadão.
Num mundo em que o sexo, o dinheiro e as vanglórias dominam os objetivos de grande parte dos homens, apenas preocupados em ascender na vida, São JoséMaria veio mostrar que cada ser humano é um elo imprescindível na corrente da criação sempre dinâmica, e deve doar o máximo de si mesmo para fazer deste um mundo melhor. Trabalhar sempre, educar muito, não para objetivos mesquinhos ou atuações menos dignas, mas sim para servir de exemplo e auxiliar outros a também crescerem, nesta perspectiva de tornar a vida mais nobre. Quando dizia que cada um deve santificar-se no trabalho, santificar o trabalho e santificar os outros com o trabalho, mostrava que, quanto mais preparada estiver a pessoa, mais útil será a sua trajetória no mundo, qualquer que seja a sua profissão – jardineiro ou Presidente da República -.
Por esta razão, as Universidades que promoveu se caracterizam, a par do rigoroso espírito acadêmico e científico que procuram difundir, pela preparação do ser humano como participante de uma ordem maior do que aquela de seus próprios interesses, buscando servir todos os que fazem parte da comunidade na qual se insere. Os credos religiosos, as convicções políticas ou qualquer opção educacional e cultural são respeitados, como sendo expressão da liberdade pessoal, não procurando jamais os dirigentes dessas Universidades interferir naquilo que diz respeito exclusivamente a uma posição pessoal deste ou daquele estudante. São JoséMaria Escrivá pregava um delicado respeito à liberdade das consciências. O que se busca é prepará-los para que, seja qual for a sua opção (de esquerda ou de direita no campo político, por exemplo), abraçá-la com critérios dignos, de ética e de cuidadosa preparação. As opções humanas são variadas, podendo-se fazer umas e descartar outras, mas não as virtudes, que devem ser todas elas valorizadas para que o estudante e futuro profissional possa influir, positivamente, no ambiente em que atua, não impondo nada, mas dando o exemplo da sua atuação, da seriedade do seu exercício profissional.
As sementes que semeou, portanto, no campo da educação, espalhadas por todos os continentes, continuam a frutificar em terra boa.
* Professor emérito das universidades Mackenzie e UNIFMU e da Escola de Comando e Estado do Exército e presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, do Centro de Extensão Universitária e da Academia Paulista de Letras
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