Como explica o coordenador e relator da Subcomissão, deputado estadual Altemir Tortelli (PT), a proposta é trazer para a discussão os estudos do Ministério da Educação, em parceria com entidades, sobre o tema na perspectiva de fazer uma mudança na política educacional do meio rural brasileiro.
– Foram 3 anos de estudo para a construção de um programa nesse foco, que tem a preocupação de mudar a lógica de educação no meio rural, mudar os conteúdos e metodologia de trabalho e garantir mais estrutura.
Segundo o deputado, um dos principais motivos da fuga de jovens do interior é o modelo de educação oferecido, considerado por ele pouco atrativo.
– É um ensino que não dialoga com sua realidade, que não o capacita. É preciso mudar a forma e encontrarmos maneiras de motivar a permanência sustentável e cidadã, fazer com que o jovem se veja como um profissional da agricultura. Por isso a educação no campo tem que ser tratada como ação de desenvolvimento – salienta Tortelli.
Projeto de Lei visa incentivar a permanência através da educação
Com a proposta de incentivar a permanência de jovens e adultos no meio rural, de maneira sustentável, qualificada e cidadã, Tortelli protocolou na Assembleia Legislativa o Projeto de Lei 297/2011. O Projeto institui uma política de incentivo à permanência através de uma educação voltada aos interesses do campo, com conteúdo que propicie a capacitação dos jovens. O PL também fará parte das discussões da Subcomissão. A ideia é realizar ações com órgãos públicos, em especial os da educação, com o intuito de oferecer aos jovens e adultos rurais uma formação adequada a sua realidade.
Dados da evasão de jovens do campo
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2000 e 2010 a população de 254 municípios gaúchos encolheu. Conforme o estudo, pequenos municípios rurais com menos de 10 mil habitantes perderam parte significativa de seus moradores, que migraram para os centros regionais em busca de trabalho e estudo.
– Assim, é imprescindível a adoção de políticas de valorização e incentivo à permanência dos jovens no meio rural. Ficar no campo e trabalhar como produtor rural precisa ser uma escolha por meio de uma educação adequada à realidade do campo e, ao mesmo tempo, que possibilite uma vida digna – afirma Tortelli.
O Pronacampo
O programa atenderá escolas rurais e quilombolas. No campo, 23,18% da população com mais de 15 anos é analfabeta e 50,95% não concluiu o ensino fundamental. O Pronacampo baseará suas ações em quatro eixos: gestão e práticas pedagógicas, formação de professores, educação de jovens e adultos e educação profissional e tecnológica. Uma das ações previstas é a educação contextualizada, que promova a interação entre o conhecimento científico e os saberes das comunidades.
O programa Mais Educação, de apoio à educação integral, oferecerá atividades de acompanhamento pedagógico, práticas vinculadas à agroecologia, iniciação científica, direitos em humanos, cultura e arte popular, esporte, lazer, memória e história das comunidades tradicionais. A meta é atender 10 mil escolas com educação integral até 2014. De acordo com o programa, a formação de professores também receberá atenção especial, com oferta de aperfeiçoamento.
Fonte: AL/RS
