A Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, presidida pela deputada Marisa Formolo (PT) realizou na manhã desta quarta-feira (9) audiência pública para tratar de acidente químico ampliado na Braskem.
Autor do requerimento da audiência pública, o deputado Raul Pont (PT) disse que o debate foi motivado pelas solicitações dos movimentos sindicais que denunciaram riscos aos quais os trabalhadores teriam sido submetidos à epoca do acidente. “Realizo esta audiência para que possamos ouvir, em especial, a empresa, e esclarecer se houve medidas adequadas de segurança do trabalho e saúde dos trabalhadores. Nossa ação aqui na Assembleia, em relação a este caso, deve ser de acompanhamento. O Polo Petroquímico é um símbolo caro da economia do RS. Por isso chamamos as entidades que acompanham o caso”, disse Raul.
O acidente
Em fevereiro, na sede da empresa, no Polo Petroquímico de Triunfo, ocorreu um acidente em um dos seis tanques de armazenamento de nafta. Na ocasião o teto fluente do local de armazenamento do produto afundou, provocando o vazamento de gases tóxicos para a atmosfera. O fato colocou em risco de contaminação cerca de 2 mil trabalhadores da empresa. Com a tampa do tanque caída, durante uma semana o produto tóxico foi recoberto com espuma, na tentativa de conter o vazamento de gases. Passados sete dias, a direção da empresa, finalmente fez um alerta de evacuamento preventivo, mas sem admitir o acidente. Este foi o primeiro acidente químico ampliado no Rio Grande do Sul. O encontro definiu que a Assembleia irá acompanhar os desdobramentos do evento.
Em fevereiro, na sede da empresa, no Polo Petroquímico de Triunfo, ocorreu um acidente em um dos seis tanques de armazenamento de nafta. Na ocasião o teto fluente do local de armazenamento do produto afundou, provocando o vazamento de gases tóxicos para a atmosfera. O fato colocou em risco de contaminação cerca de 2 mil trabalhadores da empresa. Com a tampa do tanque caída, durante uma semana o produto tóxico foi recoberto com espuma, na tentativa de conter o vazamento de gases. Passados sete dias, a direção da empresa, finalmente fez um alerta de evacuamento preventivo, mas sem admitir o acidente. Este foi o primeiro acidente químico ampliado no Rio Grande do Sul. O encontro definiu que a Assembleia irá acompanhar os desdobramentos do evento.
Empresa teria priorizado a produtividade
Gerson Cardoso, dirigente do Sindipolo, disse que o sindicato já previa que a falta de manutenção dos equipamentos da empresa poderia ocasionar um acidente. “Não é correto afirmar, como diz a empresa, que a causa foi a chuva. Vamos aos fatos: a queda da tampa ocorreu em 22 de fevereiro e durante uma semana, até o dia 29, os trabalhadores ficaram expostos ao benzeno, que comprovadamente é cancerígeno” disse o sindicalista, que ainda responsabilizou a empresa pelas condições em que se encontrava o equipamento no momento do vazamento. “O tanque onde ocorreu o acidente possui 17 metros de altura por 55 de largura e também é conhecido como Maracanã, por suas dimensões. Este equipamento possui drenos que dão vazão ao conteúdo, mas que estavam fechados. A empresa não quis parar a produção, nem interromper as atividades. Foram diversos dias com mau cheiro no local, até que no dia 29 de fevereiro resolveram evacuar a área. E, somente dois dias depois se manifestou sobre o ocorrido, sem dar toque normal de emergência e sem comunicação de acidente de trabalho. A Braskem priorizou continuar produzindo colocando trabalhadores sobre risco”, denunciou o sindicalista.
Gerson Cardoso, dirigente do Sindipolo, disse que o sindicato já previa que a falta de manutenção dos equipamentos da empresa poderia ocasionar um acidente. “Não é correto afirmar, como diz a empresa, que a causa foi a chuva. Vamos aos fatos: a queda da tampa ocorreu em 22 de fevereiro e durante uma semana, até o dia 29, os trabalhadores ficaram expostos ao benzeno, que comprovadamente é cancerígeno” disse o sindicalista, que ainda responsabilizou a empresa pelas condições em que se encontrava o equipamento no momento do vazamento. “O tanque onde ocorreu o acidente possui 17 metros de altura por 55 de largura e também é conhecido como Maracanã, por suas dimensões. Este equipamento possui drenos que dão vazão ao conteúdo, mas que estavam fechados. A empresa não quis parar a produção, nem interromper as atividades. Foram diversos dias com mau cheiro no local, até que no dia 29 de fevereiro resolveram evacuar a área. E, somente dois dias depois se manifestou sobre o ocorrido, sem dar toque normal de emergência e sem comunicação de acidente de trabalho. A Braskem priorizou continuar produzindo colocando trabalhadores sobre risco”, denunciou o sindicalista.
Roberto Schellenberger, superintendente regional do Trabalho e Emprego, questionou o fato da empresa ter continuado as operações nas condições em que o tanque se encontrava. “O acidente deixa claro que a política da empresa era de priorizar a produtividade. Parece-me que cabe à Braskem dois movimentos: assumir que operou com os drenos fechados e, sendo assim, assumiu os riscos do acidente. E, posteriormente, identificar quem concordou em operar nestas condições. O acidente foi uma conseqüência natural da decisão de operar o equipamento com restrições”, analisou.
O deputado Nelsinho Metalúrgico (PT) seguiu a mesma linha de raciocínio. Para o parlamentar, “acidentes não acontecem, são causados”. E prosseguiu: “A cada dia morrem sete trabalhadores por acidente de trabalho, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Tudo indica que neste caso específico da Brasken houve indícios de falhas antes do ocorrido. A empresa arcou com os riscos. Foi irresponsável com vidas humanas. Mas o que mais me espantou neste episódio foi não ter tido nenhuma comunicação aos milhares de trabalhadores. Isso me causou indignação”, declarou Nelsinho
Para o representante da Executiva Nacional da Central Única dos Trabalhadores, petroleiro Dary Beck Filho, este tipo de acidente é rotineiro na indústria. “Trago a experiência de quem conhece a indústria. A maioria desses tipos de acidentes é resultado de problema de dreno. Um acidente tem que ser avaliado pelo que aconteceu, mas também pelo que poderia ter ocorrido. Imaginem se houvesse uma explosão, um incêndio ali”, alertou o sindicalista.
Braskem se defende
O responsável pelo setor de produção da Unidade de Insumos Básicos da Braskem, Nelson Luis Neto Silva, disse que a empresa segue todas as normas de segurança do trabalho. “A empresa situa-se numa área isolada, como dizem as normas de segurança. Nos últimos 10 anos, reduziu-se as taxas de acidente. Quero lembrar que no dia 22 de fevereiro, data que a tampa submergiu na nafta, foi um dos dias mais quentes do ano. A temperatura interna do produto era em torno de 31º C, durante quatro dias seguidos. E somente neste dia choveu o equivalente a 30 dias. Quando foi constatado o vazamento, aplicamos a espuma para conter a saída do nafta durante 24h por dia. Nossa análise do acidente é de que a chuva intensa, a temperatura elevada, o fechamento do dreno e uma falha na tampa ocasionaram o acidente”, explicou o executivo.
Deputados ressaltam papel social da empresa
O deputado João Fischer (PP) lembrou que seu primeiro emprego foi em contato com produtos químicos como o benzeno. “Assinei minha carteira de trabalho em 1973. Por 22 anos tive contato com a benzena. Na época, eu era aplicador de cola, hoje chamado de aplicador de adesivo. Falo isso para dizer que entendo o lado do trabalhador, mas acho que temos que ressaltar que a Braskem é uma empresa importante para o Estado, seja gerando empregos ou arrecadando impostos”, disse. O deputado Mano Changes (PP) destacou o compromisso da empresa com o meio ambiente. “A Braskem é uma empresa responsável ambientalmente, produz plástico verde. Não tenho dúvidas da seriedade da empresa ao avaliar este acidente”, considerou.
Fepam e Corsan dizem que acidente não teve impacto ambiental fora da planta da fábrica
Convidados para a audiência, Rafael Volquind, da Fundação de Proteção Ambiental (Fepam) e, Antonio Gomes, diretor da Companhia Rio-grandense de Saneamento (Corsan) disseram que o acidente não atingiu ambientalmente a área fora da planta da Braskem. No entanto, Eduardo Passos, representantes dos trabalhadores da Cia de água discordou do executivo e afirmou que há muito tempo os trabalhadores que lidam com sistema integrado de tratamento de águas estão expostos a produtos químicos perigosos para a saúde.
Encaminhamentos
Ao final da audiência pública, foram definidos os seguintes encaminhamentos pelos particpantes:
- A Comissão irá comunicar e levar ao Ministério Público do Trabalho o que foi relatado na audiência
- Criação de uma Frente Parlamentar para acompanhar o episódio e outros casos de acidente de trabalho
- Visita à fábrica para averiguar as condições de trabalho
- Acompanhamento dos desdobramentos do caso
Presenças
Os deputados Dr Basegio (PDT), Jurandir Maciel (PTB) e Gilmar Sossela (PDT) também participaram da audiência desta manhã.
Os deputados Dr Basegio (PDT), Jurandir Maciel (PTB) e Gilmar Sossela (PDT) também participaram da audiência desta manhã.
Fonte: AL/RS
