Barreiras impostas pelo país vizinho estão levando embora indústrias de máquinas e implementos do RS
O tema da forte estiagem que afetou o Estado e segue trazendo prejuízos aos produtores do RS foi pauta principal logo nos primeiros dias da FENASOJA, que acontece no município de Santa Rosa e que recebe atenção especial da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da AL-RS. Porém outro assunto toma conta dos debates no evento, trazendo grande apreensão à produtores e exportadores gaúchos. O protecionismo argentino verificado desde o ano passado, com as barreiras impostas para a liberação de licenças automáticas para o ingresso de máquinas e implementos agrícolas produzidos no Brasil, tem feito com que empresas instaladas em território nacional se transfiram para o país vizinho em busca do mercado, que absorve cerca de 25% das exportações. Já são muitos os investimentos de empresas na Argentina que esperam lucrar muito com as vendas diretas. O presidente da Comissão de Agricultura, deputado Ernani Polo (PP), está muito preocupado com este cenário que prejudica a economia gaúcha e afeta diretamente a geração de emprego e renda: “É uma queda de braço que está sendo vencida pela Argentina, pois o governo brasileiro não conseguiu reverter de fato a questão das licenças automáticas, permitindo que a manobra para atrair as indústrias que estavam no Brasil fosse bem sucedida. Desta forma o RS perde, pois deixa de criar postos de trabalho e de acumular divisas com as exportações”, avalia o presidente da CAPC.
A desindustrialização no país tem elevado as importações no Brasil, como divulgado na AGRISHOW, em Ribeirão Preto. Houve um expressivo crescimento do maquinário importado nos primeiros meses de 2012 em relação ao ano passado, que ultrapassaram os 95%. “Vamos agir junto aos ministérios das relações exteriores e de indústria e comércio para que a situação não prejudique ainda mais o RS. Penso que é dever de Estado priorizar a manutenção de empresas já instaladas aqui, no lugar de prospectar outras tantas. Vemos outros entes da federação não medir esforços para segurar suas empresas, postura que é firmemente adotada também por outros países. No entanto, convivemos com este impasse que só prejudica o RS pela ausência de uma posição mais firme”, completa Ernani Polo.
Fonte: AL/RS
