Há circunstâncias tão positivas na vida pública que é preciso externá-las. Nossas ações, como regra, visam melhorar a vida das pessoas e da sociedade. Porém, vivemos literalmente massacrados por notícias ruins e fatos positivos, ações que beneficiam o indivíduo e as comunidades são relegados a segundo plano. O caso dos indígenas é um exemplo. Os mesmos são notícia quando saem de suas aldeias pintados e se postam na frente do Palácio, em Brasília, ou interrompem rodovias. No Brasil temos aproximadamente 300 mil índios, umas 200 nações indígenas espalhados em aproximadamente 560 áreas de todos os estados.
Em julho de 2010, em ação comemorativa ao centenário de Caxias do Sul e da chegada do trem, a Prefeitura, através do gabinete do então vice-prefeito, a secretaria de Esportes e a de Turismo, promoveram a vinda dos caigangues de Cacique Doble. Eles foram recepcionados com um churrasco, danças, futebol e fizeram um tour pela cidade. Dois meses após, Caxias do Sul retribuiu a visita. Fomos à aldeia em Cacique Doble e constatamos o quanto possuem de carências de toda ordem, principalmente do que fazer. Nas duas ocasiões, os índios pediram retalhos de malharias para desenvolver uma atividade e deixar a ociosidade. Foi aí que surgiu o Banco de Vestuário de Caxias do Sul resultado da divulgação do trabalho de igual projeto existente em outras cidades e que teve a iniciativa do Sindicato do Vestuário e do Fitemasul, contando com a fundamental parceria da Prefeitura.
Voltamos a visitar a comunidade indígena para verificar as condições para entregar os retalhos. Era o que queriam e a seguir foram disponibilizados 900 quilos de retalhos pelo Banco de Vestuário. São comovedoras as fotos que mostram o grande envolvimento e oportunidade de trabalho para a comunidade indígena através do artesanato. Por outro lado, o Banco de Vestuário possui condições de atender progressivamente outras comunidades indígenas que desejarem retalhos das 46 empresas que contribuem com retalhos e uniformes usados para serem refeitos. No pouco tempo que o Banco funciona beneficiou mais de três mil pessoas, profissionalizou 127 costureiras e formou 110 em tear. Os cursos/oficina se sucedem, com fila de espera.
Mais do que nunca precisamos dar oportunidade de trabalho e ocupação às comunidades indígenas. O Banco de Vestuário tem condições físicas e matéria-prima, basta que as comunidades tomem a iniciativa de firmarem convênio ou o poder público municipal onde se localizam inicie os contatos e concretizem ações para desenvolver atividade semelhante. Este exemplo merece ser estendido para as demais comunidades indígenas do Estado. Afinal, o que era desperdício se transforma em benefício social.
* Deputado estadual
Fonte: AL/RS
