Pós-Fordismo – A. Negri e M. Hardt | Portal Jurídico Investidura - Direito

Pós-Fordismo – A. Negri e M. Hardt

Pós-Fordismo – A. Negri e M. Hardt

 

 

Matheus Lolli Pazeto *

 

 

Antônio Negri é um filósofo político italiano muito ligado a  movimentos marxistas. Ele já foi preso e exilado pela acusação de ter sido o “cérebro” do assassinato do líder da Democracia Cristã italiana. O nome da sua principal obra é Império, a qual já foi considerada “O Manifesto Comunista do Século XXI”, e ele a escreveu junto com Michael Hardt, um americano que já foi aluno de Negri.

 

No capítulo 3.4 – parte a que temos acesso – Negri e Hardt tratam da pós-modernização, ou informatização da produção.

 

Eles afirmam que desde a Idade Média, houve 3 paradigmas econômicos. O primeiro no qual a agricultura e a extração de matérias-primas dominavam a economia; o segundo, dominado pela indústria e fabricação de bens duráveis; e o terceiro – e atual – paradigma, no qual a oferta de serviços e o manuseio de informações são o centro da produção econômica. Eles dizem que a passagem do primeiro para o segundo paradigma é chamada de modernização, e nomeia a passagem do segundo para o terceiro de Pós-modernização, ou Informatização.

 

·         Ilusões de Desenvolvimento:

 

Negri e Hardt também apontam algumas “Ilusões de Desenvolvimento”. Eles afirmam que as economias dos países chamados desenvolvidos são definidas, principalmente, por “sua posição dominante no sistema global”. Portanto, assim como os países desenvolvidos, os subdesenvolvidos também conseguem crescer economicamente, mas como estarão sempre subordinados aos países desenvolvidos, nunca atingirão este posto.

 

·         Informatização:

 

Em nossa época, a modernização acabou. O processo de pós-modernização ou informatização é vigente e tem sido demonstrado pela migração da indústria para os serviços, em especial nos países capitalistas dominantes. Negri e Hardt falam que isso acontece de duas maneiras. A primeira é chamada de modelo de economia de serviço, tem à frente Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, sendo que esse modelo implica um rápido declínio em números de postos de trabalhos industriais e um aumento correspondente em números de postos de trabalho no setor de serviços para haver uma substituição. A segunda maneira é chamada de modelo infoindustrial, simbolizado por Japão e Alemanha, nesse caso o processo de informação é estreitamente integrado à produção industrial existente, e serve para fortalecê-la,

 

Visto que os países não-dominantes não conseguem informatizar toda sua economia, alguns podem pensar que a nova organização global é: os países dominantes são economias informatizadas de serviços, seus principais subordinados são as economias industriais, e os últimos subordinados são as economias agrícolas. Não é isso que ocorre, porque também da perspectiva das regiões subordinadas, a modernização não é a chave do sucesso econômico, e sim a informatização da produção.

 

·         A Sociologia do Trabalho Imaterial:

 

A transição para uma economia informacional envolve, necessariamente, uma mudança na qualidade e natureza do trabalho. Um exemplo bem conhecido por todos é a mudança no trabalho fabril do fordismo para o toyotismo.

 

A ação instrumental e a ação comunicativa tornaram-se intimamente interligadas no processo industrial informacionalizado (no qual se baseia o toyotismo), mas essa é uma noção empobrecida da comunicação como mera transmissão de dados. Os setores de serviço da economia apresentam um modelo mais rico de comunicação produtiva. A maioria dos serviços de fato se baseia na permuta contínua de informações e conhecimentos. Como a produção de serviços não resulta em bem material e durável, define-se o trabalho envolvido nessa produção como trabalho imaterial.

 

Vale lembrar que uma conseqüência da informatização da produção e do surgimento do trabalho imaterial tem sido a homogeneização real dos processos laborais. Com a informatização da produção a heterogeneidade do trabalho concreto tende a ser reduzida, e o trabalhador é cada vez mais afastado do objeto do seu trabalho.

 

Pode-se distinguir 3 tipos de trabalho imaterial. O primeiro está envolvido numa produção industrial que foi informacionalizada e incorporou tecnologias de comunicação de um modo que transforma o próprio processo de produção. A atividade fabril é vista como serviço, e o trabalho material da produção mistura-se com o trabalho imaterial e se inclina na direção dele. O segundo é o trabalho imaterial de tarefas analíticas e simbólicas, que se divide na manipulação inteligente e criativa de um lado e nos trabalhos simbólicos de rotina do outro. A terceira espécie de trabalho imaterial envolve a produção e a manipulação de afetos e requer contato humano (virtual ou real), bem como trabalho do tipo físico. Esses são os três tipos de trabalho que impulsionam a pós-modernização da economia global.

 

 

·         Produções em Rede:

 

A primeira conseqüência geográfica da passagem de uma economia industrial para economia de informação é a descentralização da produção. Avanços nas telecomunicações e nas tecnologias de informação tornaram possível desterritorializar a produção, o que dispersou as fábricas e esvaziou as antigas cidades fabris.

 

A tendência à desterritorialização da produção é ainda mais pronunciada nos processos de trabalho imaterial, que envolvem o manuseio de conhecimento e informação.

 

As redes de informação também liberam a produção das coações territoriais, na medida em que tendem a pôr o produtor em contato direto com o consumidor, independentemente da distância entre eles.

 

 

·         Superestradas da Informação:

 

A estrutura e a administração das redes de comunicação são condições essenciais para produção na economia informacional. Essas redes globais precisam ser construídas e policiadas para garantirem ordem e lucros.

 

A novidade da infra-estrutura da informação é o fato de que ela está embutida nos novos processos de produção e lhes é totalmente imanentes. No auge da produção contemporânea, a informação e a comunicação são as verdadeiras mercadorias produzidas; a rede, em si, é o lugar tanto da produção quanto da circulação.

 

 

* Acadêmico de Direito da UFSC


 

Como referenciar este conteúdo

, Matheus Lolli Pazeto. Pós-Fordismo – A. Negri e M. Hardt. Portal Jurídico Investidura, Florianópolis/SC, 04 Jul. 2009. Disponível em: investidura.com.br/biblioteca-juridica/resumos/economia-politica/3809-pos-fordismo--a-negri-e-m-hardt. Acesso em: 21 Jul. 2019

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