Pós-Modernidade: Globalização, Capitalismo e o Crescimento Desenfreado dos Consumidores | Portal Jurídico Investidura - Dir

Pós-Modernidade: Globalização, Capitalismo e o Crescimento Desenfreado dos Consumidores

André Alvino Pereira Santos[1]

Resumo: Pretende-se realizar pesquisa de natureza científica, com forma de abordagem, em princípio, com o método de raciocínio hipotético-dedutivo, para a formulação de novos conhecimentos, e, em alguns casos pontuais, utilizar-se-á o método indutivo. Além disso, utilizaremos o método dialético para comparações e reflexões críticas sobre o capitalismo e seu contexto contemporâneo. Tenciona-se aprofundar a pesquisa nos diferentes posicionamentos doutrinários, mas não buscando esgotar o tema do capitalismo com o advento da globalização. Tal acontecimento conforme demonstraremos, pode-se dizer que é o último estágio do capitalismo, e devido a esse fato, graves consequências poderão acontecer, conforme serão expostas no decorrer do texto.

Palavras-Chave: Globalização; Consumo; Pós modernidade.

Abstract: It is intended to carry out research of a scientific nature, with a form of approach, in principle, with the hypothetical-deductive reasoning method, for the formulation of new knowledge, and in some specific cases, the inductive method will be used. In addition, we will use the dialectical method for comparisons and critical reflections on capitalism and its historical context. It is intended to deepen the research in the different doctrinal positions, but not seeking to exhaust the theme of capitalism with the advent of globalization. Such an event, as we shall demonstrate, can be said to be the last stage of capitalism, and due to this fact serious consequences may occur, as will be explained in the course of the text.

Key-word: Globalization; Consumption; Post modernity.

Introdução:

O mundo pós-moderno encontra-se em colapso com o advento do consumismo, pois a partir da revolução industrial os valores foram invertidos. Dessa forma, a moral da população foi gradativamente invertida, os bens móveis que durante muito tempo eram objeto de longínquos anos, durante o século XXI, o consumo a troca de bens desenfreado é o paradigma da sociedade contemporânea.

Outrossim, é preciso conscientização sobre o que isso poderá levar, bem como o que já ocorre. Ressalta-se que a presente pesquisa não tentará esgotar essa análise, pois o enfoque é uma mera problematização sobre o tema do consumo e suas possíveis consequências. Com a globalização o capitalismo alcança podemos dizer seu último estágio, o consumo ocorre até mesmo de coisas que ainda não foram ao menos produzidas, como exemplo as compras via internet.

O consumo passa a ocorrer como forma de inclusão em determinados grupos, caso a pessoa não esteja de acordo com seus pares, ela será excluída, e sendo assim, o modo é adquirir os bens necessários para fazer parte desse subproduto da sociedade. Podemos dizer que para ser considerada parte dessa reunião de pessoas é necessário ter os mesmos objetos, e com isso o consumo exacerbado.

Mas essa alienação não se resume pelo consumo de bens, nisso incluem a auto ajuda como modo de vida ideal, a busca pelo corpo perfeito etc. Nesse sentido, procuraremos nos debruçar sobre as ocorrências do século XXI decorrente da alienação consumista, e suas formas de atuação.

Com as privatizações demonstra a voracidade que o capital se consome pela sociedade, pois quando o Estado protetor das garantias e direitos fundamentais se sujeita as privatizações fortalece o poder devorante da iniciativa privada.  Ademais, o mundo globalizado fortalece o poder econômico dos detentores do capital, fazendo uma hegemonia daqueles que mais lucram com o consumo de bens.

O próprio sentido em regra do capitalismo, é o poder de dominação sobre o a pessoa, pois inserido no mercado que o detentor do capital detém, consequentemente irá usa lá como bem o quiser.

1. A Globalização

Este mundo globalizado, visto como fábula, funda-se como verdade em certo número de fantasias, cuja repetição, entretanto, acaba por se tornar uma base aparentemente sólida de sua interpretação[2].

Após a segunda Guerra mundial, o planeta sofre uma nefasta transformação, como menciona Milton Santos: “Um mercado avassalador dito global é apresentado como capaz de homogeneizar o planeta quando, na verdade, as diferenças locais são aprofundadas”[3].

É possível pensar na construção de outro mundo, por intermédio de uma globalização menos humana. Só que a globalização não é apenas a existência desse novo sistema de técnicas de dominação e alienação. Ela é também o resultado das ações que asseguram a emergência de um mercado dito global, responsável pelo essencial dos processos políticos atualmente eficazes.: “Os fatores que contribuem  para explicar a arquitetura da globalização atual são: a cognoscibilidade do planeta e a existência de um motoro único na historia, representado pela mais valia globalizada”[4].

Os últimos anos do século XX testemunharam grandes mutações em toda a Terra. O mundo torna-se agrupado em virtude das novas condições técnicas, de bases sólidas para a ação humana mundializada. O computador tornou-se o instrumento de medida e controlador do uso tempo. As pessoas com a globalização podem estar via internet em diferentes lugares do mundo em segundosé possível mencionar que o mundo está mais próximo, e a cada momento as barreiras estão sendo quebradas, as pessoas conseguem realizar transações que antes não eram possíveis. Podemos até mesmo dizer que a globalização é o último estágio do capitalismo.

A técnica da informação assegura esse comércio, que antes não era possível. Por outro lado ela tem um papel determinante sobre o uso do tempo, permitindo, em toso os lugares, a convergência dos momentos, assegurando a simultaneidade das ações e, pior conseguinte, acelerando o processo histórico[5].

A concorrência, sugerida pela produção e pelo consumo, é a fonte de novos tiranos, mais facilmente aceitos graças à confusão dos pensamentos que se instalam.

Resultado do progresso cientifico e técnico, cuja busca se acelerou com a Segunda Guerra, a operação planetária das grandes empresas globais vai revolucionar o mundo das finanças, permitindo ao respectivo mercado que funcione em diversos lugares durante o dia inteiro[6].

Fala-se, igualmente, com insistência, na falência do Estado, mas o que estávamos vendo é a sua consolidação para atender aos reclamos da finança e de outros grandes interesses internacionais, em desvantagem dos cuidados necessários a população.

A pobreza aumenta e as classes médias perdem em qualidade de vida. O salário médio tende a baixar. A fome e o desabrigo se generalizam em todos os continentes. A mortalidade infantil permanece, a despeito dos progressos médicos e da informação. A educação de qualidade é cada vez mais inacessível. Alastram-se e aprofundam-se males espirituais e morais, como os egoísmos, os cinismos, a corrupção[7].

É nessas bases técnicas que o grande capital se sustenta construindo a globalização perversa de que falamos acima. É o capitalismo selvagem de Bauman”.Entre os fatores característicos da globalização, em seu caráter perverso atual encontram-se a forma como a informação é propagada à humanidade e a contingência do dinheiro em estado puro como motor da vida econômica e social. Existem muitas informações e das diversas maneiras que são transmitidas não informam ninguém.

Esse motor único se tornou possível porque nos encontramos em um novo patamar de internacionalização, como uma verdadeira mundialização do produto, do dinheiro, do credito, da divida, do consumo, da informação. Esse conjunto de mundializações, uma sustentando e arrastando a outra, impondo-se mutuamente, é também um fato novo[8].

O que se pode dizer dessa mais-valia considerada ao nível global? Ela é evasiva e nos resisti, mas não é abstrata. Ela existe e se impõe como coisa real, embora não seja propriamente mensurável, já que esta sempre modificando-se, isto é, sempre buscando uma nova modulação. Ela é “universal” porque entretida pelas empresas globais que se valem dos progressos científicos e técnicos disponíveis no mundo e pedem, todos os dias, mais progresso cientifico e técnico, tornando o homem escravo da inovação[9].

Nas presentes circunstâncias, conforme já vimos, a centralidade é ocupada pelo dinheiro, em suas formas mais agressivas um dinheiro em estado puro sustentado por uma informação ideológica, com a qual se encontra em simbiose[10].

Kant menciona que a historia é um progresso sem fim, acrescentemos que é também um progresso sem fim das técnicas. A cada evolução técnica, uma nova etapa histórica se torna possível.A mídia trabalha com o que ela própria transforma em objeto de mercado, isto é, as pessoas. Como em nenhum lugar as comunidades são formadas por pessoas diferentes, e a mídia deve levar isso em consideração.

O que é transmitido à maioria da humanidade é, de fato, uma informação manipulada que, em lugar de esclarecer, confunde. Isso tanto é mais grave porque, nas condições atuais da vida econômica e social, a informação constitui um dado essencial e imprescindível[11].

 Por isso mesmo, a era da globalização mais do que qualquer outra antes dela, é exigente de uma interpretação sistêmica cuidadosa, de modo a permitir que cada coisa, natural ou artificial, seja redefinida em relação com o todo planetário.

Lembramos, também, que um dos elementos, ao mesmo tempo ideológico e empiricamente existencial, da presente forma de globalização é a centralidade do consumo, com a qual muito têm a ver a vida de todos os dias e suas repercussões sobre a produção, as formas presentes de existência e as perspectivas das pessoas[12].

Com o império do dinheiro em estado puro como motor primário e último das ações, o homem acaba por ser considerado um componente residual. Dessa forma, a humanidade e a fraternidade social também se tornam residuais. Na historia da humanidade é a primeira vez que tal conjunto de técnicas dominantes envolve o planeta como um todo, e faz sentir, instantaneamente, sua presença. O sistema técnico dominante no mundo de hoje tem outra característica, isto é, a de ser invasor.

Surge ainda, a pobreza em grandes potencias mundiais, e o aumento nos países não desenvolvidos, como forma de maior desigualdade social, devido a globalização e aumento de riqueza no pequeno número de pessoas.

2. Consumismo: Até onde isso poderá nós levar.

Contribui para o fortalecimento do paradigma do consumo, imenso fatores, dentro os quais podemos dizer os grandes canais de informação, bem como o uso da internet pelas redes sociais, sendo atualmente um paradigma de propagação de bens para uso e consumo.

Dentro desse paradigma, o estabelecimento do império do consumo, dentro do qual se instalam consumidores mais que perfeitos[13], levados afastar o sentimento de cidadania pela busca do dinheiro: “O mundo se torna fluido, graças à informação, mas também ao dinheiro. Todos os contextos se intrometem e superpõem corporificando um contexto global, no qual as fronteiras se tornam porosas para o dinheiro e para a informação”[14]No século XVIII, aconteceram fenômenos extremamente importantes. Um dele é a produção das técnicas das máquinas,[15] que revalorizam o trabalho e o capital, requalificando os espaços e permitindo a conquista de novos campos que abrem horizontes para a humanidade.

Ocorreu, no entanto, que o advento da sociedade líquida moderna dos consumidores solapou a credibilidade e o poder persuasivo de ambas as teses sustentadoras da inevitabilidade da imposição societal. Cada qual foi rebaixada de modo, diferente todavia, pela mesma razão: para que tivesse lugar o cada vez mais evidente desmantelado do sistema de regulação normativa.

Esse século marca o reforço do capitalismo e também a entrada em cena do homem como um valor a ser considerado.

Neste mundo globalizado, a competitividade, o consumo, as confusões dos espíritos constituem baluartes do presente estado de coisas. A competitividade comanda nossas formas de ação. O consumo direciona nossas ações. E a confusão dos sentimentos impede o nosso entendimento do mundo, da sociedade a qual fazemos parte:

O consumo é o grande emoliente, produtor ou encorajador de imobilismos. Ele é, também, um veículo de narcisismos, por meio dos seus estímulos estéticos, morais sociais; e aparece como o grande fundamentalismo do nosso tempo, porque alcança e envolve toda gente[16].

As privatizações são a mostra de que o capital se tornou devorante, guloso ao extremo, exigindo sempre mais, querendo tudo. Até mesmo o Estado, se rende as privatizações, fortalecendo o clássico papel garantidor da supremacia da burguesia.O ponto nevrálgico do capitalismo seria a sua total truculência, e o capital selvagem que deixa os mais necessitados a beira da morte:

E agora chegamos ao terceiro tipo, a pobreza estrutural, que de um ponto de vista moral e político equivale a uma dívida social. Ela é estrutural e não mais local, nem mesmo nacional; torna-se globalizada, presente em toda parte no mundo. Há uma disseminação planetária e uma produção globalizada da pobreza, ainda que esteja mais presente nos países já pobres. Mas é também uma produção científica, portanto voluntária da dívida social, para a qual, na maior parte do planeta, não se buscam remédios[17].

Além da pobreza absoluta, que leva a classificar os indivíduos pela sua capacidade de compra/consumo. O capitalismo faz seleção das pessoas, classificam os seres de acordo com seu grau de inclusão no estereótipo de sociedade.

No mundo da globalização, o espaço geográfico ganha novos contornos, novas características, novas definições. E, também, uma nova importância, porque a eficácia das ações está estreitamente relacionada com a sua localização. Os atores mais poderosos se reservam os melhores pedaços do território e deixam o resto para os outros[18].

Nas condições atuais, é uma pobreza quase sem remédio, trazida não apenas pela expansão do desemprego como, também, pelo controle da mão de obra pela burguesia. Quando a dificuldade é um fruto de aperfeiçoamento produtivo e a vida econômica se torna obscura, o dinheiro acaba sendo indispensável e termina se sobrepondo como um equivalente geral de todas as coisas que são objeto de comércio. 

(..) a sociedade desregulamentada e privatizada dos consumidores ainda está longe da aterradora visão de Hobbes da bellum omnium contra omnes [a guerra de todos contra todos]. Por sua vez, o argumento de Freud para a natureza coercitiva da civilização não foi mais bem-sucedido[19].

Na verdade, o dinheiro transforma-se também, um dado do processo, facilitando seu cavar já que ele se torna do valor atribuído à produção e ao trabalho e aos respectivos resultados:

O dinheiro se instala como condição, tanto desse escambo quanto da produção de cada grupo, tornando-se instrumental à regulação da vida econômica e assegurando assim, o alargamento do seu âmbito e a frequência do seu uso[20].

Com a globalização, o uso das técnicas disponíveis permite a instalação de um dinheiro fluido, relativamente invisível, praticamente abstrato. Os fenômenos a que muitos chamam de globalização e outros de pós-modernidade[21], na verdade constituem juntos momentos marcados no processo histórico. Desse modo, a história do homem sobre a Terra dispõe afinal das condições objetivas, materiais e intelectuais, para superar a glorificação do dinheiro e dos objetos técnicos e enfrentar o começo de uma nova trajetória.

A possibilidade de povoar o mundo com pessoas mais carinhosas e a induzi-las a dar mais carinho não figura nos panoramas pintados na utopia consumista. As utopias privatizadas dos caubóis e vaqueiras da era consumista demonstram, em disso, um expandido “espaço livre’ ( livre para mim mesmo, claro), uma espécie de espaço vazio do qual o consumidor líquido moderno, inclinado a apresentações solo, e apenas a elas, nunca tem o suficiente[22].

O desejo do consumismo é arrebatador na sociedade contemporânea, pois isso é uma possibilidade de inclusão no grupo de convívio de determinadas pessoas, e para isso são instigados a ter para poder pertencer ao desejado grupo social.

Esses programas de TV que seduzem milhões de espectadores como uma tempestade e capturam de imediato suas imaginações são ensaios públicos do conceito de descartabilidade dos homens. Eles carregam, atadas à história, uma carga de indulgência e uma advertência, cuja mensagem é que ninguém é indispensável, ninguém tem o direito a uma parte própria nos frutos do esforço comum apenas porque ele ou ela foi adicionado ao grupo em algum ponto de sua história – muito menos por simplesmente ser membro do time. A vida é um jogo duro para pessoas duras, eis a mensagem.

O consumo é devastador, pois caso o indivíduo não se inserir nesse modo de viver, o mundo acabara com você sem remorso. É o verdadeiro mundo de Darwin: é o mais adaptado que sobrevive, ou melhor dizendo, o que irá sobreviver por mais tempo, é a própria adaptação ao mundo globalizado e consequentemente consumerista que irá definir sua pré-condição de existência.

Vivemos hoje numa sociedade global de consumidores, e os padrões de comportamento de consumo só podem afetar todos os outros aspectos de nosso vida, inclusive a vida de trabalhdo e de família. Somos todos pressionados a consumir mais, e, nesse percurso, nós mesmo nos tornamos produtos nos mercados de consumo e trabalho[23].

Neste sentido, Arlie Hocschild demonstra em breve explanação, o bem explicado “dano colateral”, um dos pontos mais significativos no ambiente da invasão do consumismo:

Atos consumistas para manter a reversão emocional entre trabalho e família. Expostos a um bombardeio ininterrupto de publicidade por uma média diária de três horas de televisão ( a metade de todo seu tempo ocioso), os trabalhadores são persuadidos a “necessitar” de mais coisas. E para comprar aquilo de que agora necessitam, eles precisam de dinheiro. Para ganhar dinheiro, trabalham mais horas. Estando longe de casa antas horas, compensam sua ausência com presentes que custam dinheiro. Eles materializam amor. E assim o ciclo se perpetua[24].

Dessa forma, sempre ocupados em ganhar mais para assim, comprar novos bens, creem em falsa percepção que necessitam disso para serem mais felizes. O homem com isso detém menos tempo para realizar atividades familiares, ou simplesmente prazerosas, pois necessitam trabalhar para ganhar mais dinheiro, e com isso poderem gastar, logo consumir mais.

3. Mundo globalizado: Além do Pensamento Abissal

Com o consumismo como paradigma da sociedade, podemos dizer que a globalização é o último estágio do capitalismo. O mundo foi transformado após marco histórico do fordismo, os valores foram significativamente invertidos, a globalização virou um podemos dizer desafio ético.

A fábrica global instala-se além de toda e qualquer fronteira, articulando capital, tecnologia, força de trabalho, divisão do trabalho social e outras forças produtivas. Acompanhada pela publicidade, a mídia impressa e eletrônica, a indústria cultural, misturadas em jornais, revistas, livros, programas de rádio, emissões de televisão, videoclipes, fax, redes de computadores e outros meios de comunicação, informação e fabulação, dissolve fronteiras, agiliza os mercados, generaliza o consumismo. Provoca a desterritorialização e reterritorialização das coisas, gentes e idéias. Promove o redimensionamento de espaços e tempos[25].

 Outrossim, as distâncias pouco importam para o mundo tecnológico, quaisquer atos localmente podem ter consequências globais, devido as informações instantâneas.

O alcance planetário do capital, das finanças e do comércio – as forças que decidem a gama de escolhas e a efetividade da ação humana,  o modo como os seres humanos vivem e os limites de seus sonhos e esperanças – não foi acompanhado, em dimensões similares, pelos recursos que a humanidade desenvolveu para controlar essas forças que determinas as vidas humanas[26].

Max Webber, menciona que o nascimento do capitalismo foi a separação entre os negócios e o espaço doméstico; essa vida doméstica representava a densa ideia de direitos e obrigações mútuas sustentadas por aldeias, nos quais as famílias e a vizinhança viram-se firmemente envolvida. Com a superação de tal paradigma, os negócios acharam-se espaço livre, sem preocupações morais, podendo estabelecer um código de conduta.

Aliás, no mundo atual que perpassa por uma constante aceleração, e também descoordenado, no tocante a globalização, a dependência mútua já alcançou uma extensão global que, apesar disso, não foi alcançada, e nem será alcançada em tempo curto. Ademais, corrobora com nosso entendimento Gunther Anders em 1956, no livro A antiguidade do homem: “ Quem joguemos ou não, o jogo está sendo jogado conosco. O que quer que façamos ou nos abstenhamos de fazer, nossa retirada não irá mudar nada”[27].

 Neste sentido, o mundo sofre graves reflexos com o advento da globalização, sobretudo na área econômica que introduziu-se as empresas transnacionais ditando os poderes de mercado, ou os rumos do consumo. Poderíamos denominar o famigerado termo Globalização:

caracterizar um conjunto aparentemente bastante heterogêneo de fenômenos que ocorreram ou ganharam impulso a partir do final dos anos 80 - como a expansão das empresas transnacionais, a internacionalização do capital financeiro, a descentralização dos processos produtivos, a revolução da informática e das telecomunicações, o fim do socialismo de Estado na ex-URSS e no Leste Europeu, o enfraquecimento dos Estados nacionais, o crescimento da influência cultural norte-americana etc. -, mas que estariam desenhando todos uma efetiva ‘sociedade mundial’, ou seja, uma sociedade na qual os principais processos e acontecimentos históricos ocorrem e se desdobram em escala global[28].

Pois cria-se a cada dia mais ofertas e consequentemente maiores demandas por conseguirem abranger maior número de consumidores. Ademais, a ascensão do neoliberalismo foi fundamental da globalização econômica[29].

vivemos num mundo conquistado, desenraizado e transformado pelo titânico processo econômico e tecnocientífico do desenvolvimento do capitalismo, que dominou os dois ou três últimos séculos. Sabemos, ou pelo menos é razoável supor que ele não pode prosseguir ad infintum. O futuro não pode ser continuação do passado, e há sinais, tanto externamente quanto internamente, de que chegamos a um ponto de crise histórica. (…) Não sabemos para onde estamos indo. Só sabemos que a história nos trouxe até este ponto e (…) porquê. Contudo, uma coisa é clara. Se a humanidade quer ter um futuro reconhecível, não pode ser pelo prolongamento do passado ou do presente. Se tentarmos construir o terceiro milênio nessa base, vamos fracassar. E o preço do fracasso, ou seja, a alternativa para uma mudança da sociedade, é a escuridão[30].

É preocupante os rumos sombrios que a sociedade está passando, pois é desestimulante na perspectiva econômica. A riqueza com a globalização está cada vez mais centrada nos poucos detentores do capital.

Fora o risco do consumo desenfreada das pessoas, que gastam apenas por impulso, sem ao menos haver um justo motivo, patrocinando o enriquecimento sobretudo das empresas transnacionais que adquirem cada vez mais o monopólio dos bens

O estágio mais avançado deste processo consolidou-se com a sociedade capitalista na qual a industrialização, enquanto forma dominante de produção, ao mesmo tempo em que solucionou alguns problemas relativos ao controle da natureza pelo homem, suscitou outros tantos, resultados do modo pelo qual essa sociedade produz e reproduz as condições materiais de existência, gênese da desigualdade social que a caracteriza[31].

Destaca-se ainda que em determinados casos as próprias empresas produzam bens com tempo útil definido, pois assim irão ter mais vendas, devida a circulação e consequentemente mais consumo. Tal tática utilizado pelas empresas está sendo massificado na sociedade pois produtos com prazo curto de duração serão mais rapidamente utilizados, descartável pela sociedade líquida da pós-modernidade e consequentemente, fomentar a nova compra do objeto, saciando o impulso consumista desejado pela indústria.

A vida útil dos produtos torna-se cada vez mais curta, e nem poderia ser diferente, pois há uma união entre a obsolescência planejada e a criação de demandas artificiais no capitalismo. É a obsolescência planejada simbólica, que induz a ilusão de que a vida útil do produto esgotou-se, mesmo que ele ainda esteja em perfeitas condições de uso. Hoje, mesmo que um determinado produto ainda esteja dentro do prazo de sua vida útil, do ponto de vista funcional, simbolicamente já está ultrapassado. A moda e a propaganda provocam um verdadeiro desvio da função primária dos produtos. Ocorre que a obsolescência planejada e a descartabilidade são hoje elementos vitais para o modo de produção capitalista, por isso encontram-se presentes tanto no plano material como no simbólico[32].

Destarte, a técnica utilizada pelo mercado fomenta o consumo de material de baixa qualidade e consequentemente para haver maior rotatividade. Ademais, o buscado pelas empresas são o lucro, mais-valia, e para isso pouco o tempo útil do objeto inserido no mercado, e sim o resultado obtido.

Considerações Finais

A globalização influenciou de modo substancial o consumismo, por ser conforme mencionado acima o último estágio do capitalismo.                                                                        

Neste sentido, o mundo pós-moderno sofre com a brusca economia selvagem, resultando no consumo desenfreado e poderio das empresas transnacionais. Com isso o poder de direção, e com isso o poder do capital estão no domínio de poucos.

 O presente trabalho que não tentou esgotar o tema tratou sobre a gravidade do consumo diante a globalização, e os potenciais riscos que tais atitudes poderão ocasionar.

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[1] Graduado em Direito pela Universidade Nove de Julho e Advogado no Estado de São Paulo.

[2]TAVARES, Maria da Conceição. Destruição não criadora, 1999

[3] SANTOS, Milton. Por uma outra globalização do pensamento único à consciência universal, pg.18.

[4] SANTOS, Milton. Por uma outra globalização do pensamento único à consciência universal.pg24.

[5] SANTOS, Milton. Por uma outra globalização do pensamento único à consciência universal.pg 25.

[6] SANTOS, Milton. Por uma outra globalização do pensamento único à consciência universal.pg 28.

[7] SANTOS, Milton. Por uma outra globalização do pensamento único à consciência universal.pg19 e 20.

[8] SANTOS, Milton. Por uma outra globalização do pensamento único à consciência universal.pg.30.

[9] O exercício da competividade torna exponencial a briga entre as empresas e as conduz a alimentar uma demanda diuturna de mais ciência, de mais tecnologia, de melhor organização, para manter-se á frente da corrida. SANTOS, Milton. Por uma outra globalização do pensamento único à consciência universal.pg.31.

[10] SANTOS, Milton. Por uma outra globalização do pensamento único à consciência universal.pg 147.

[11] SANTOS, Milton. Por uma outra globalização do pensamento único à consciência universal.pg.39.

[12] SANTOS, Milton. Por uma outra globalização do pensamento único à consciência universal.pg.161.

[13] SANTOS, Milton. O espaço do cidadão, 1988.

[14] SANTOS, Milton. Por uma outra globalização do pensamento único à consciência universal.pg.66.

[15] BAUMAN, Zygmunt, A Ética é Possível num Mundo de Consumidores?, Ed. Zahar, 2011, Pg. 55/56.

[16] SANTOS, Milton. Por uma outra globalização do pensamento único à consciência universal.pg.49.

[17] SANTOS, Milton. Por uma outra globalização do pensamento único à consciência universal.pg.69.

[18] SANTOS, Milton. Por uma outra globalização do pensamento único à consciência universal.pg.97.

[19] BAUMAN, Zygmunt, A Ética é Possível num Mundo de Consumidores?, Ed. Zahar, 2011, Pg. 56.

[20] SANTOS, Milton. Por uma outra globalização do pensamento único à consciência universal.pg.98.

[21] ORTIZ, Renato. Mundialização e cultura, 1994.

[22] BAUMAN, Zygmunt, A Ética é Possível num Mundo de Consumidores?, Ed. Zahar, 2011, Pg. 63.

[23] BAUMAN, Zygmunt, A Ética é Possível num Mundo de Consumidores?, Ed. Zahar, 2011, Pg. 64/65.

[24] HOCHSCHILD, Arlie Russell, Commercialization of Intimate Life, pg.208.

[25] LANNI, Octavio, 2002,p.19.

[26] BAUMAN, Zygmunt, A Ética é Possível num Mundo de Consumidores?, Ed. Zahar, 2011, Pg. 79.

[27] BAUMAN, Zygmunt, A Ética é Possível num Mundo de Consumidores?, Ed. Zahar, 2011, Pg. 115.

[28] ALVAREZ,1999, p. 97.

[29] Sader, org., 1995; Santos, 2000; Fiori et al, 1998.

[30] HOBSBAWM, 1995, p. 562.                                          

[31] PIETROCOLLA, 1986, p. 37.

[32] LAYRARGUES, 2002, p.184.


 

Como referenciar este conteúdo

SANTOS, André Alvino Pereira. Pós-Modernidade: Globalização, Capitalismo e o Crescimento Desenfreado dos Consumidores. Portal Jurídico Investidura, Florianópolis/SC, 15 Fev. 2018. Disponível em: investidura.com.br/biblioteca-juridica/artigos/sociedade/336421-pos-modernidade-globalizacao-capitalismo-e-o-crescimento-desenfreado-dos-consumidores. Acesso em: 14 Jul. 2018

 

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