Economia

PAC: presente de Natal que até ao Papai Noel enganou!

Banco 24h e dívida
pública botam para correr a Tropa de Elite

Quem assistiu há poucos dias a expulsão de criminosos do
conjunto de favelas da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão pensou que
estivesse presenciando, a partir do Rio de Janeiro, o início de uma política
governamental preocupada com a segurança e a sobrevivência do povo brasileiro.

Ledo engano … “Circo
para o povo!”

Diariamente, 200 milhões de brasileiros estão
sujeitos a outra forma mais cruel de violência, a qual gera o desemprego e o
subdesenvolvimento que alimenta a criminalidade. Falo da experiência que vivem
os cidadãos que assiduamente utilizam os serviços dos conhecidos “Bancos 24h”
visando sacar valores em moeda para uso com suas famílias e atividades. Estes,
quando inserem seus cartões de crédito na “dourada maquininha de dinheiro” veem
estampado na tela: ”o banco e o cartão
de crédito do qual estão sacando o dinheiro lhes cobrará , no caso, por exemplo,
dos bancos Itaú/Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Federal, juros
anuais que vão da taxa de 240,09% a 360% ao ano”. Ou seja, uma taxa de juros de
quase 1% ao dia, enquanto nossa inflação não chega a 4% ao ano.

Estes números são de dar
inveja até aos traficantes. Afinal, os criminosos devem se sentir ridículos
quando descobrem que estão levando bala e aterrorizando a sociedade só para
ganhar o lucro das drogas ou do assalto a mão armada, enquanto que, com o apoio
governamental, os bancos enchem seus cofres com o dinheiro do povo e das
empresas, gozando até de proteção policial.

Em contrapartida, o
Presidente Lula, cuja política permitiu aos bancos que cobrassem juros e taxas
bancárias mais caras do que as praticadas durante os Governos Sarney, Collor,
Itamar Franco e FHC, alardeia ao povo brasileiro que nosso sistema financeiro
não tem medo sequer de Crises Internacionais. Não é por menos! Em países
europeus, os juros cobrados pelos bancos dos cidadãos não chega a 10% ao ano,
algo assim como 30 vezes menos do que é praticado em nosso território. Nos EUA
e no Canadá, a taxa cobrada é de pouco menos de 8% ao ano.

No Brasil, o valor médio
cobrado pelos bancos corresponde a juros de 300% ao ano, variando conforme a
necessidade e cadastro de cada cidadão ou empresa brasileira. No caso de Cheque
Especial, por exemplo, os juros cobrados são na média de 8% ao mês; cartões de
crédito, não menos do que 11% ao mês. Descontos de cheques ou duplicatas, mesmo
que o dinheiro emprestado seja para pagar impostos, a taxa cobrada é de 5% a 8% ao mês. É uma verdadeira “megasena”, uma
espécie de “Cassino à moda brasileira”, onde ganhadores são exclusivamente os
bancos que operam no Brasil.

Por esta razão que
sequer uma Crise Internacional ou a “Tropa de Elite”, a verdadeira ou até mesmo
aquela exibida no cinema, desalojam ou põem medo em tão poderosa facção que
sangra a raiz da geração de empregos e do desenvolvimento nacional.

Nem o Governo brasileiro está livre. O serviço
da “Dívida Pública” corresponde a um desembolso de R$ 16,5 bilhões ao mês só de juros, ou
melhor, R$ 550 milhões de juros ao dia. Esta fortuna transferida diariamente ao
bancos vem do dinheiro que os cidadãos e empresas brasileiros pagam de
impostos. Não por outra razão que o governo clama pelo retorno da CPMF.

Conforme informações
oficiais do site do Banco Central do Brasil, em 2002, nossa Dívida Pública
total somava R$ 851 bilhões, sendo R$
212 bilhões de “dívida externa” e R$ 640
bilhões de “dívida interna”. Em 2010, às vésperas da posse da Presidente Dilma
Rousseff, embora ainda estejamos sem estradas, aeroportos, portos, segurança
pública e saúde pública, nossa dívida corresponde a R$ 1.890 trilhão, equivalendo, em dinheiro, a
tudo o que o Brasil produz em um ano e mais um pouco, isto sem descontar sequer
o “cachorro quente ou espetinho” vendidos na esquina. São R$ 240 bilhões de “Dívida Externa”, ou seja U$ 142,85 bilhões e R$ 1.650
trilhão de “Dívida Interna”, representada, na maior parte, por títulos em mãos
de nossos bancos. Números assim põem para correr todos os marginais do
Brasil!

Viva a política financeira
e fiscal brasileira, pois nela nem a “Crise Mundial” e nem a “Tropa de
Elite” botam medo! O que preocupa … é saber o porquê?


Presidente do Instituto de Estudo dos Direitos dos
Contribuintes

www.edisonsiqueira.com.br

e-mail: artigos_efs@edisonsiqueira.com.br

Como citar e referenciar este artigo:
SIQUEIRA, Édison Freitas de. PAC: presente de Natal que até ao Papai Noel enganou!. Florianópolis: Portal Jurídico Investidura, 2011. Disponível em: https://investidura.com.br/artigos/economia/pac-presente-de-natal-que-ate-ao-papai-noel-enganou/ Acesso em: 19 abr. 2024