Estatísticas de Empreendedorismo – Fonte IBGE – Base: Ano 2008 | Portal Jurídico Investidura - Direito

Estatísticas de Empreendedorismo – Fonte IBGE – Base: Ano 2008

Empresas de caráter empreendedor empregavam 1 em cada 5 pessoas assalariadas na região Norte em 2008

Em 2008, entre as 1,9 milhão de empresas brasileiras ativas com pelo menos uma pessoa ocupada, 30.954 (1,7%) eram classificadas como empresas de alto crescimento (EAC), uma das características internacionalmente relacionadas às empresas empreendedoras. Essas empresas, que tinham 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas no ano inicial de observação e apresentaram crescimento médio do pessoal ocupado assalariado de 20,0% ou mais ao ano por um período de três anos, foram responsáveis pela absorção de 16,7% das 27,0 milhões de pessoas ocupadas assalariadas naquele ano e pelo pagamento de 16,0% dos salários e outras remunerações.

Apesar da pouca representatividade em termos de número de empresas, as empresas empreendedoras se destacam pelo impacto na geração de empregos: foram responsáveis ??pela geração de 2,9 milhões de novas ocupações entre 2005 e 2008, 57,4% do total de ocupações criadas no período. Além disso, são muito importantes para o emprego em algumas regiões do país. No Norte, por exemplo, 19,9% (ou 1 em cada 5) dos empregados assalariados em empresas estavam nas empreendedoras; no Nordeste, o percentual é bem próximo (18,4%).

As empresas empreendedoras também eram responsáveis, em 2008, por 18,0% do total do valor adicionado e 18,3% das receitas nos setores de indústria, comércio, serviços e construção, além de registrarem 172,4% de crescimento médio em termos de pessoal ocupado entre 2005 e 2008.

Na análise intrassetorial (que compara as EAC com o total de empresas por cada setor), a construção aparece como a principal atividade, com 2,9% de empresas de alto crescimento, seguida da indústria (2,1%), serviços (0,7%) e comércio (0,4%). O Sudeste tinha a maior participação (53,6%) no total de empresas de caráter empreendedor do país em 2008, seguido da região Sul (19,6%) e do Nordeste (14,8%). Já em termos de taxas de EAC por estado, observou-se uma predominância de estados do Norte e Nordeste nas primeiras posições, com destaque para o Maranhão, onde 25,3% das pessoas ocupadas assalariadas estavam em empresas empreendedoras.

O empreendedorismo é considerado, em conjunto com a inovação, o mecanismo para impulsionar o crescimento e a estabilidade econômicos. O efeito visível da atividade empreendedora se dá por meio da empresa, analisando-se sua manutenção no mercado, capacidade de crescimento e geração de empregos, que tanto refletem a situação econômica do país e da região em que ela se insere, quanto promovem mudanças nessa conjuntura, efetivamente interagindo com ela.

Uma forma de medir o empreendedorismo empresarial é avaliar o crescimento das empresas. Assim, empresas de caráter empreendedor, ou de alto crescimento (EAC), são, segundo critérios da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), as que têm 10 ou mais pessoas ocupadas no ano inicial de observação e apresentam crescimento médio do pessoal ocupado assalariado maior de 20% ou mais ao ano, por um período de três anos.

As EAC que têm até cinco anos de idade no ano inicial de observação (ou seja, relativamente novas e que conseguem manter o padrão de alto crescimento) são denominadas gazelas e constituem um subgrupo desse contingente.

EAC foram responsáveis por 57,4% do total de ocupações criadas entre 2005 e 2008

Apesar de representarem apenas 1,7% do total de empresas com pessoal ocupado assalariado em 2008 e 8,3% das empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas, as empresas de alto crescimento têm papel relevante na economia brasileira, particularmente na geração de empregos formais: elas foram responsáveis pela criação de 2,9 milhões de postos de trabalho assalariados entre 2005 e 2008, ou 57,4% do total de 4,9 milhões de postos assalariados formais gerados no período.

As empresas de alto crescimento contabilizadas em 2008 tiveram um crescimento médio no pessoal ocupado de 172,4% desde 2005, 99,6 pontos percentuais acima do mínimo estabelecido pelos critérios da OCDE. Elas foram responsáveis por 18,0% do total do valor adicionado e 18,3% das receitas nos setores de indústria, comércio, serviços e construção.

As indústrias de transformação; as atividades administrativas e serviços complementares e comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas;e a construção registraram, juntas, mais de 2,6 milhões dos 4,5 milhões de pessoas ocupadas do conjunto total de EAC em 2008.

Maior parte das empresas de alto crescimento é de pequeno porte

Mais da metade das EAC (51,6%) eram empresas de pequeno porte (com de 10 a 49 pessoas ocupadas), 39,0% eram médias (de 50 a 249 pessoas) e 9,3% eram grandes (250 ou mais pessoas). No caso das gazelas, a participação das pequenas era ainda maior, 55,2%, enquanto a participação das médias e das grandes se reduzia para 38,4% e 6,4%, respectivamente.

O salário médio do universo de todas as empresas, no ano de 2008, foi de R$ 16.102,00. Já o salário médio das empresas de alto crescimento foi de R$ 15.540,00. Isso é explicado porque as empresas menores pagam salários mais baixos e, no caso das EAC, a maioria se encontra em faixas de 10 a 249 pessoas ocupadas assalariadas. O salário médio das EAC para essa faixa foi de R$ 12.804,17, enquanto, para o universo com POA de 10 a 249, foi de R$ 11.796,39.

Empresas de alto crescimento se destacam no setor da construção

As empresas de alto crescimento aparecem em todos os setores, ainda que sua distribuição não seja uniforme para todas as atividades estudadas. Na análise intrassetorial (que compara as EAC com o total de empresas por cada setor), a construção aparece como a principal atividade, com 2,9% de empresas de alto crescimento, seguida da indústria (2,1%), serviços (0,7%) e comércio (0,4%). Inclusive, o Brasil apresenta uma elevada taxa de empresas de alto crescimento no setor da indústria, quando comparado às demais nações. Dos 21 países presentes na publicação Entrepreneurship at a Glance, de 2006, o Brasil obteve o quarto maior índice intrassetorial, ultrapassado apenas por Bulgária, Eslováquia e Letônia.

Por outro lado, na análise intersetorial (que compara as EAC de cada grupo com o total das empresas de alto crescimento), os setores em destaque são as indústrias de transformação (com 27,4% do total de EAC) e comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (com 26,4%), muito acima da seção construção, que aparece com 12,2% como a terceira em número de empresas desta natureza.

Já em termos de concentração de empresas de alto crescimento no total de empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas no próprio setor, o setor industrial e o comércio aparecem apenas na 8ª e 13ª posições, com taxas de 9,2% e 6,4%, ao passo que a atividade de construção volta a se destacar como a mais intensa em empresas de alto crescimento, representando 15,9% de todas as empresas do setor, muito acima da média geral de 8,3%.

Valor adicionado médio das EAC é 16,2 vezes maior que o do total das empresas

Do ponto de vista da diferença entre a média de valor adicionado das empresas de caráter empreendedor (ou de alto crescimento) e do total do setor, observa-se a importância das EAC na criação de valor. Nas atividades em geral, o valor adicionado médio das empresas de alto crescimento é 16,2 vezes maior que o do total das empresas. Das 71 atividades estudadas, 67 têm valor adicionado das EAC maior que a média do setor, e apenas 4 têm a proporção invertida.

A construção civil apresenta a maior concentração de agregação de valor nas EAC. Elas respondem por 35,7% do valor gerado nesse setor, para uma média no total de empresas selecionadas de 17,9%. A indústria, apesar de responder pela maior parte do valor adicionado das quatro atividades analisadas, sendo responsável por 41,1% do VA das empresas de alto crescimento, possui uma taxa intrassetorial levemente menor que a média geral, com 17,2%.

Entre as atividades, a primeira no ranking é a extração de minerais metálicos com 82,9% do valor gerado pelas EAC, posição assegurada pela presença de grandes empresas do setor de mineração que passaram por processos de fusão e expansão no mercado internacional. O mesmo se deu para o segundo colocado, transporte aéreo, com 63,1%, resultado da ampliação das rotas domésticas e internacionais regulares de empresas já consolidadas. A atividade de obras de infraestrutura aparece em terceiro lugar com uma participação de 51,4% do valor agregado nas EAC, devido ao desempenho das empresas do grupo de obras de infraestrutura para energia elétrica, telecomunicações, água, esgoto e transporte de dutos.

Esses resultados demonstram que a criação de valor, através da identificação e exploração de novos produtos, processos e mercados, não se dá unicamente para empresas nascentes e em fase de consolidação de sua estrutura. As empresas de grande porte e já estabelecidas podem ser também empreendedoras.

Empresas de alto crescimento empregam 19,9% do pessoal assalariado da Região Norte

O Sudeste tem a maior participação (53,6%) na distribuição das empresas de alto crescimento, seguido pela região Sul (19,6%) e pelo Nordeste (14,8%).

O Sudeste lidera também na proporção de pessoal ocupado assalariado (POA) na empresas de alto crescimento do país (56,1%). Já em termos de pessoas ocupadas assalariadas por região, o Norte se destaca, com 19,9% dos empregados assalariados em empresas de alto crescimento, seguido pelo Nordeste, com 18,4%. Por outro lado, a região Sul apresenta uma proporção de assalariados bem abaixo das demais regiões do país, com 14,4% nas EAC.

No Maranhão, 25% dos trabalhadores assalariados estavam em empresas de alto crescimento

A distribuição de unidades locais das empresas de caráter empreendedor pelas Unidades da Federação segue o padrão do total de unidades locais, com destaque para estados da região Sul e Sudeste. Porém, as taxas de EAC em cada estado variam consideravelmente, com uma predominância de estados do Norte e Nordeste nas primeiras posições. Vale destacar os estados do Maranhão e Roraima onde 25,3% e 22,7%, respectivamente, de todas as pessoas ocupadas assalariadas naqueles estados estavam nas EAC.

Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.

* Ricardo Bergamini, Economista, formado em 1974 pela Faculdade Candido Mendes no Rio de Janeiro, com cursos de extensão em Engenharia Econômica pela UFRJ, no período de 1974/1976, e MBA Executivo em Finanças pelo IBMEC/RJ, no período de1988/1989. Membro da área internacional do Lloyds Bank (Rio de Janeiro e Citibank (Nova York e Rio de Janeiro). Exerceu diversos cargos executivos, na área financeira em empresas como Cosigua - Nuclebrás - Multifrabril - IESA Desde de 1996 reside em Florianópolis onde atua como consultor de empresas e palestrante, assessorando empresas da região sul.. Site: http://paginas.terra.com.br/noticias/ricardobergamini* Ricardo Bergamini, Economista, formado em 1974 pela Faculdade Candido Mendes no Rio de Janeiro, com cursos de extensão em Engenharia Econômica pela UFRJ, no período de 1974/1976, e MBA Executivo em Finanças pelo IBMEC/RJ, no período de1988/1989. Membro da área internacional do Lloyds Bank (Rio de Janeiro e Citibank (Nova York e Rio de Janeiro). Exerceu diversos cargos executivos, na área financeira em empresas como Cosigua - Nuclebrás - Multifrabril - IESA Desde de 1996 reside em Florianópolis onde atua como consultor de empresas e palestrante, assessorando empresas da região sul.

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BERGAMINI, Ricardo. Estatísticas de Empreendedorismo – Fonte IBGE – Base: Ano 2008. Portal Jurídico Investidura, Florianópolis/SC, 21 Set. 2011. Disponível em: investidura.com.br/biblioteca-juridica/artigos/economia/199512-estatisticas-de-empreendedorismo--fonte-ibge--base-ano-2008. Acesso em: 12 Ago. 2020

 

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