A ação da universidade quanto ao conhecimento | Portal Jurídico Investidura - Direito

A ação da universidade quanto ao conhecimento

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho trata-se de um resumo, desenvolvido para aprovação na disciplina de Métodos e Técnicas de Pesquisas, do curso de Direito da Universidade de Santa Cruz do Sul, UNISC. O objeto aqui estudado é a obra Fazer Universidade: Uma proposta metodológica, do escritor Cipriano Luckesi[1] que aborda os temas do conhecimento, das praticas de estudo e da leitura critica.

O foco deste resumo será o capitulo I da obra, que trata das origens e princípios norteadores da pratica desenvolvida, bem como o capitulo II, a Universidade, criação e produção do conhecimento, reproduzindo conforme os autores a Instituição preterida, a parte histórica bem como sua chegada no Brasil. Na terceira parte trataremos do conhecimento como compreensão do mundo e como fundamentação da ação. Elencaremos pontos como reflexão e compreensão do conhecimento, a necessidade do conhecimento verdadeiro para a ação, sua forma de libertação e, também, sua face oposta: a opressão.

2 A AÇÃO DA UNIVERSIDADE QUANTO AO CONHECIMENTO

No texto Fazer Universidade: Uma proposta metodológica, de Cipriano Lukcesi e demais autores, é apresentada uma orientação de construção da universidade naquilo que ela possui de mais essencial e aproveitável, tanto na linha de produção de conhecimento quanto na transmissão deste, tocando e transformando pessoas, convertendo aspirações em concretas realidades.

De início, a obra demostra de forma clara como foi a origem dos estudos, mais precisamente na universidade de Feira de Santana , em 1973. Com a ajuda de alguns autores, o estudo a princípio delimitou perspectivas e objetivos, dentre os quais, aqueles de aliar a teoria à pratica e assim “ver os alunos habilitados metodologicamente para ler, produzir e transmitir conhecimentos de modo crítico”. (LUKCESI,1998, p. 23).

Assim, trouxeram como premissas, ou ideais, a prática, com a avaliação, e logo após a volta da mesma prática, observando as reações de seus alunos, sempre com o intuito de ensinar e, no reflexo da metodologia, também aprender com eles.

O autor, no segundo capitulo da obra, intitulado Universidade - criação e produção de conhecimento, mergulhou na história universitária, da antiguidade clássica, onde existiam escolas consideradas de nível elevado e formadora de especialistas das principais profissões da época, passando pela idade média, época definidora da universidade e marco de seu nascimento. Deste momento, descreve Lukcesi (1998, p.31):

Observamos nessa época, por um lado, o forte clima religioso, determinado pela Igreja Católica, que, naquelas circunstâncias, gerava o dogmatismo, a imposição de verdades, tão a gosto dos ambientes autoritários ainda em nossos dias; as universidades não ficaram ilesas do ambiente dogmático Por outro lado, é nesses tempos que nasce e se cultiva, nas escolas universitárias, o hábito das discussões abertas, dos debates públicos, das disputas como elementos integrantes do currículo e especificidade de certas disciplinas.

É também destes tempos que o trabalho cientifico hodierno ainda mantem atributos como a seriedade, a lógica do pensamento, a busca pela prova, assim como a influência do pensamento ocidental.

Na sequência desta “universidade através da história” tivemos o início da idade moderna, século XVI como marco de uma crescente rebelião burguesa. Ela resultou no desenvolvimento da ciência moderna e de uma mentalidade individualista que não acompanhava os percalços da universidade daquele período. Havia uma imposição dogmática que quando contestada acarretava em sanções gravíssimas como fogueira, prisão excomunhão, etc...

Neste sentido:

Aqui e acolá, ainda hoje, sofremos resquícios desta época: o ensino autoritário, onde o professor assume a postura de que detém o critério de verdade e o aluno simplesmente repete o professor e os livros de texto ou manuais; a arraigada dificuldade para o livre debate das ideias etc. (LUCKESI ,1998, p.32, grifo próprio).

O século XIX teve-se a Revolução Industrial onde Berlim tinha como características ser positivista, preocupando-se em e­­nsinar o homem a descobrir, formular e ensinar a ciência. No Brasil, o ensino superior em forma de faculdade chega em 1900 com a união de três faculdades, entretanto com a chegada da ditadura e formação do Estado Novo o sonho da universidade caiu por terra. A luta continuou e mais a frente, criou-se uma universidade nova, mais precisamente em Brasília, ainda que os professores, por forças superiores, debandassem para o exterior logo em seguida.  

Deste rápido mergulho da história da universidade que se desenhou, para o autor, os indícios da universidade preterida. Não uma simples universidade de nível superior, mais uma instituição com pessoas capazes de refletir e abertas para a reflexão e troca de saberes.

Ao contrário de uma universidade-escola, sem pesquisa, de alunos desanimados pelo sistema mecânico empregado pelos professores e de um saber medido por provas nunca rediscutidas, encerrando-se o crescimento intelectual com a divulgação da nota do aluno. (LUCKESI, 1998).

Rejeitou-se assim o modelo de instituição que não incentiva a pesquisa, o estudo critico, descomprometida com assuntos da realidade, autoritária e meramente discursiva.

A universidade preterida, para os autores, seria aquela aberta a novos entendimentos e conhecimentos, formando profissionais de alto nível e desempenho, com um inter-relacionamento professor-aluno, e com um “corpo responsável por indagar, questionar, investigar, debater, discernir, propor caminhos de soluções, avaliar, à medida que exercita as funções de criação, conservação e transição da cultura”. (LUKCESI, 1998, p.42-43).

Na sequência os autores trabalham a produção e transmissão do conhecimento como forma de fazer universidade, trazendo o entendimento de que este conhecimento só é valorativo quando nos traz um bem-estar, ou melhor, uma qualidade de vida, e não como uma forma enfadonha e desinteressante de apenas memorizar informações.

Somos capazes de aprender[2], compreender e pôr em ação tudo que foi absorvido, separando o útil do inútil, capazes de nos desvencilhar do bloqueio autoritário do sistema educacional que impede a imaginação criativa de ir além. É por viver em sociedade que devemos refletir sob os fatores culturais que nos rodeiam para que possamos vivencia-los com sabedoria e prazer.

Neste sentido, Luckesi (1985, p.49) aduz que o “conhecimento só nasce da prática com o mundo, enfrentando os seus desafios e resistências e que o conhecimento só tem seu sentido pleno na relação com a realidade”.

Logo, o autor reafirma que o conhecimento é uma necessidade, uma forma de iluminação da realidade, uma via para que não se cometa erros e se atinja os objetivos almejados, completando:

Todavia, sabemos que o conhecimento necessário para o ser humano é o conhecimento verdadeiro, compatível com a realidade é suficientemente funcional para a vida humana. Só a criticidade do conhecimento pode fazê-lo satisfatório. (LUCKESI,1998, p.56).

Este conhecimento pode libertar ou oprimir.

Conforme defendido por Luckesi (1985), é libertador quando age a favor do ser humano, em harmonia com suas necessidades.

Liberta porque dá ao ser independência e autonomia tanto para a tomada de decisões para si mesmo, quanto para as decisões tomadas em decorrência da inter-relação social.

Também, pode o conhecimento, ser libertador para as nações e coletividades em geral. Dele pode-se retirar novas percepções para a criação de tecnologias, trazendo um viés para suprir necessidades de países subdesenvolvidos ou até mesmo aumentar o poderio dos países dominantes.

Entretanto, por outro lado, o conhecimento também pode ser opressor, ou seja, pode ser usado para manipular e obter vantagens.

Pode o ser usar de mecanismos adquiridos através do conhecimento para se obter lucros através da dependência. Este é o entendimento de Luckesi (1985, p.58). Diz ele:

Contudo, se o conhecimento é um mecanismo de libertação, pode ser usado também como um mecanismo de opressão aos outros. O psicólogo analista pode tornar o seu cliente um eterno dependente de seus conselhos, devido ao fato de deter um tipo de conhecimento e de poder com o qual trabalha, sob pagamento, “servindo” aos seus clientes.

Não obstante este lado opressor do individuo, vemos também o egoísmo de muitas nações que ao longo da historia reprimiram informações para seus povos, sempre com o objetivo de evitar a propagação do conhecimento, de manter a hegemonia, evitando assim a independência, a verdadeira libertação, dos que buscam seus objetivos realizados.

3 COMENTÁRIO

O texto estudado é de uma linguagem compreensível e de estrutura bem organizada. Possui alguns termos técnicos, mas para quem a tese é direcionada, acreditamos que seja de fácil assimilação. Trata-se de um conteúdo muito rico e importante, pois explora a leitura critica com ênfase no conhecimento e compreensão da realidade. O texto ajuda a ter um real entendimento do que é a universidade ressaltando o quão importante é adquirir conhecimento para o percalço do caminho de transformação do individuo e do mundo. É uma ótima ferramenta de reflexão tanto para alunos quanto educadores no tocante que buscamos o sucesso, os resultados e a qualidade destes resultados e isso tudo não provem apenas dos estudantes, mas sim de um sistema como um todo.

4 CONCLUSÃO

O desenvolvimento do presente estudo possibilitou uma analise positiva quanto à importância do conhecimento, de suas benesses dentro do convívio social bem como da importância de uma boa orientação metodológica na busca de melhores resultados acadêmicos.

Através de um trabalho de interação professor/aluno e de uma Universidade capaz de identificar seus principais problemas e desafios, é possível criar profissionais de patamares mais elevados, e que no futuro possam trabalhar com maior satisfação em suas profissões escolhidas. A universidade ideal procura um método participativo, e não meramente discursivo, incentivando o aluno durante o processo de aprendizagem bem como em suas práticas cientificas.

Neste sentido, o conhecimento é valoroso quando nos traz bem estar, autonomia, independência. É fruto da prática com o mundo, e pode fazer da Universidade uma via de criação, produção e transmissão destes saberes. Dele pode-se retirar novas percepções para a criação de tecnologias, originando um viés para suprir necessidades que muitas vezes transcendem a esfera politica global.

REFERÊNCIAS

LUCKESI, Cipriano Carlos. Fazer universidade: uma proposta metodológica. 10. ed. São Paulo: Cortez, 1998.



[1] Doutor em Educação: História, Política, Sociedade pelo Programa de Pós-Graduação da Católica de São Paulo (1992).

[2] Uma obra interessante, voltada para a interação do trabalho metodológico entre professor e aluno, é o livro Filosofia da Educação, de Luckesi, publicado pela editora Cortez.


 

Como referenciar este conteúdo

SODA, Robson Leandro. A ação da universidade quanto ao conhecimento. Portal Jurídico Investidura, Florianópolis/SC, 21 Mai. 2018. Disponível em: www.investidura.com.br/biblioteca-juridica/artigos/conhecimento/336670-a-acao-da-universidade-quanto-ao-conhecimento. Acesso em: 17 Out. 2018

 

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